O francês ex-comissário comercial da União Européia Pascal Lamy foi nomeado por um painel de seleção da Organização Mundial do Comércio (OMC) para ser o próximo diretor-geral da organização, disse um diplomata nesta sexta-feira.
- Ele obteve o maior apoio - afirmou o diplomata.
A recomendação - a qual os 148 países-membros da OMC devem aceitar devido às regras de sucessão da entidade - foi anunciada 12h (horário de Brasília). O outro concorrente, o diplomata comercial uruguaio Carlos Perez del Castillo, pedirá a seu governo que retire sua candidatura, acrescentou o diplomata.
O painel, presidido pela embaixadora queniana Amina Mohamed, decidiu, depois de consultas com os membros, que Lamy obteve um maior apoio que del Castillo.
Para chegar à direção-geral, o ex-comissário europeu de Comércio
se deparou com vários obstáculos, entre eles os outros candidatos à
direção-geral, o embaixador do Brasil na OMC, Luiz Felipe de Seixas
Corrêa, o ministro de Exteriores das Ilhas Maurício, Jayen Krisna
Cuttaree, e o próprio Pérez del Castillo.
O futuro diretor-geral da OMC, que substituirá o tailandês
Supachai Panitchpakdi a partir de 1º de setembro, conseguiu o apoio
não só de toda a União Européia (UE), mas também de países
poderosos, como EUA, Canadá e Japão, e de vários em desenvolvimento,
entre eles a Índia.
Lamy, que recentemente foi nomeado assessor pessoal pelo seu
sucessor à frente do Comissariado de Comércio da UE, o britânico
Peter Mandelson, destacou-se como um dos protagonistas das
negociações dentro da OMC.
Após defender durante cinco anos a postura da UE nas negociações
comerciais, Lamy conseguiu persuadir os membros da OMC de que pode
defender os interesses de todos por igual.
Lamy chegou ao cargo de comissário europeu de Comércio em 1999 e
em novembro daquele ano assinou o acordo de Associação Econômica,
Política e de Cooperação entre UE e México, um resultado que alguns
atribuíram a ele.
Em 2002, foi o artífice do acordo de associação assinado pela UE
com o Chile, que inclui um tratado de livre comércio. A assinatura
desse processo levou ao aumento das relações chileno-européias e
valeu ao francês a condecoração da Ordem do Mérito do Chile em 2004.