O francês Charles Acelor admitiu hoje ter intermediado uma negociação de armas em Miami, comprando do libanês Sarkis Soghanalian na Jordânia para repassar às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Acelor disse aos advogados que não cometeu nenhum crime, porque "serviu apenas de intermediário entre o governo do Peru e o vendedor de armas".
O cidadão francês é acusado de envolvimento no tráfico de armas para as Farc e pode pegar até 15 anos de prisão, além de ter de pagar uma multa de 1,5 milhão de dólares. Segundo a Justiça peruana, o cabeça do contrabando dos 10 mil fuzis Kalashnikov AK-47 foi Vladimiro Montesinos, ex-chefe dos serviços de inteligência do regime do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que está preso desde 2001 em Lima. O promotor pede para o ex-assessor uma pena de 20 anos de prisão e o pagamento de 3,2 milhões de dólares.
O francês, com a ajuda de uma intérprete, informou ante a Sala Penal Especial da Suprema Corte de Lima que, em outubro de 1998, foi contactado por um amigo antigo, o franco-espanhol Juan Manuel Lopéz, e pelo peruano José Luis Aybar Cancho. Os dois lhe disseram que o governo do Peru estava interessado em comprar armas. "Eu não sou vendedor de armas mas como sou representante da empresa Augusta Bell da Itália, que vende helicópteros e equipamentos, conheço pessoas e empresas que se dedicam a este tipo de negócio", disse.
Ele destacou que Aybar Cancho se apresentou como capitão do Exército do Peru e representante das Forças Armadas peruanas. "Eu o coloquei em contato, por telefone, com Sarkis, conhecido vendedor de armas, que contou a ele que tinha entre 50 mil a 70 mil fuzis num armazém de Amã (Jordânia). Imediatamente chegaram a um acordo", relatou Acelor, indicando que Aybar pediu-lhe para viajar e verificar as armas.
Acelor foi extraditado do Peru em 13 de dezembro de 2002 para a Alemanha, acusado de atentar contra a segurança do Estado peruano. Sarkis Soghnalien, detido numa prisão dos Estados Unidos, declarou em 2001 ao ex-procurador José Ugaz que Montesinos lhe ofereceu em Lima um primeiro pagamento de 20 milhões de dólares, de um total de 78, por uma série de operações de venda de armas.
José Luis Aybar Cancho - acusado de chefiar o tráfico de armas - informou numa audiência que em janeiro de 1999, Montesinos pediu-lhe que buscasse o libanês Sarkis no aeroporto de Lima e o levasse para os escritórios dos serviços de inteligência porque queria conversar com ele.