O ministro da Justiça francês, Dominique Perben, se felicitou pelo acordo por meio do qual a Líbia indenizará os familiares das vítimas do atentado contra um avião da empresa francesa UTA, mas afirmou que ainda não foi feita toda a justiça, já que os responsáveis não foram punidos.
- Justiça não é apenas indenização. Justiça teria sido a punição dos responsáveis, e aí a Justiça não foi até suas últimas conseqüências - afirmou em uma entrevista à emissora de rádio Europe 1 Perben.
O ministro declarou que "é necessário felicitar-se por isso ter sido conseguido , mas a Justiça não ficou completa com isso".
Com relação à quantia prevista no acordo assinado ontem em Paris pela Fundação Gadafi e representantes das famílias das vítimas, que prevê um milhão de dólares para cada uma, disse que está bem que tenham podido chegar a níveis de indenização comparáveis às que os anglo-saxões receberam por outro atentado.
Uma das polêmicas que cercou o acordo são os 170 milhões de dólares que Trípoli se comprometeu a pagar pelo atentado em 1989 contra o avião da UTA que explodiu quando voava sobre o deserto do Níger.
Esse valor fica longe dos 2,7 bilhões do acordo para indenizar os herdeiros dos 270 mortos em outro atentado atribuído à Líbia contra um avião americano da Pan Am, que explodiu na localidade escocesa de Lockerbie.
O acordo com as famílias das vítimas do vôo da UTA permitiu a abertura de "novas perspectivas" nas relações entre França e Líbia, segundo termos usados ontem pelo ministro francês de Exteriores, Dominique de Villepin, após acenar com a reconciliação em um encontro com seu homólogo líbio, Abdelrahmane Chalghame.
Villepin disse ser a favor de uma "normalização progressiva" dos contatos entre União Européia e Líbia, enquanto Chalghame disse estar convencido de que suas relações com Paris iam passar de "boas" para "excelentes".
A assinatura do acordo de indenização aconteceu quase 15 anos após o atentado contra o avião da UTA, e cinco depois que um tribunal francês condenasse em rebeldia, a prisão perpétua, seis agentes líbios pelo atentado, entre eles um cunhado do próprio líder do país africano, Muamar al Gadafi.
Nenhum deles foi detido e o acordo não contempla sua entrega às autoridades francesas.