O ministro da Educação da França avisou aos militantes islâmicos nesta quinta-feira para que não incitem as garotas muçulmanas a desafiar a proibição do uso de véus nas escolas públicas do país, afirmando que o governo seria "firme" na imposição da medida.
François Fillon disse que a maior parte dos muçulmanos franceses concordava com a proibição, que significava a confirmação dos princípios laicos do Estado. Segundo o ministro, porém, uma pequena minoria "está procurando encrenca".
As declarações de Fillon lembravam as palavras ditas na quarta-feira pelo ministro francês do Interior, Dominique de Villepin. Segundo Villepin, alguns agitadores muçulmanos estavam cada vez mais ativos em bairros mais pobres das cidades francesas. "Ninguém deveria ter qualquer ilusão", disse Fillon à rádio France Inter. "Eu, pessoalmente, vou garantir para que não haja exceções. A República continuará firme".
A influente União das Organizações Islâmicas da França (Uoif) conclamou as garotas muçulmanas na semana passada a usarem o que quiserem e prometeu dar ajuda jurídica e financeira para as que fossem eventualmente expulsas de suas escolas.
O debate sobre o que fazer quando as escolas reabrirem em setembro quase fez rachar o Conselho Francês para a Fé Islâmica (CFCM), na semana passada. Mas o Uoif e o grupo Grande Mesquita de Paris, rival dele, conseguiram chegar a um acordo na última segunda-feira.
As autoridades continuam preocupadas com a possibilidade de o Uoif, um dos grupos mais fortes entre os 5 milhões de muçulmanos da França, contestar a proibição quando as aulas forem retomadas.
Nesta quarta-feira, o ministro do Interior disse haver uma tensão crescente nos bairros pobres e que o governo precisava ajudar os grupos minoritários cada vez mais alienados da sociedade francesa. Villepin apontou para um aumento no número de ataques anti-semitas e de outros atos de racismo.