A França demonstrou grande preocupação na quinta-feira com o futuro do Iraque, afirmando que os maus-tratos de prisioneiros, o sequestro de estrangeiros e a violência recorrente mostravam um país e uma região fora de controle.
"Tudo isso dá a impressão de uma total falta de direção", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Michel Barnier, ao jornal Le Monde, em uma declaração dura a respeito da ocupação do Iraque, liderada pelos Estados Unidos.
"O que chama a minha atenção é a espiral de horror, de sangue, de desumanidade que vemos em todas as frentes, de Falluja a Gaza, e nas imagens terríveis do assassinato de um infeliz refém norte-americano," afirmou, referindo-se às cenas de militantes islâmicos decapitando no Iraque o civil norte-americano Nicholas Berg.
Em declarações feitas depois de uma reunião entre os gabinetes da França e da Alemanha, o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, afirmaram ter acreditado que a tortura era uma coisa do passado no país árabe.
Esse "tratamento cruel", disse Chirac, "nos enche de horror e de indignação, da mesma forma que aquele ato impensável divulgado ontem, no qual a garganta de um jovem americano é cortada".
Schroeder afirmou que os métodos de interrogatório usados pelos EUA eram atos de "tortura" e disse que a morte de Berg era "um dos assassinatos mais horríveis vistos recentemente". Mas o chanceler, por outro lado, elogiou o Congresso dos EUA por investigar o escândalo das torturas na prisão de Abu Ghraib de forma rápida e pública.
Barnier, que deve viajar aos EUA na sexta-feira, reafirmou que a França não enviaria soldados para o Iraque e renovou seu apelo para que a força de ocupação liderada pelos norte-americanos entregue aos iraquianos a soberania plena do país.