França libera ativos da Líbia; nega que fez acordo em petróleo
PARIS (Reuters) - A França disse nesta quinta-feira que recebeu a aprovação da ONU para liberar 1,5 bilhão de euros (2,16 bilhões de dólares) em ativos líbios para ajudar na reconstrução do país.
O ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppe, disse à rádio RTL que a situação na Líbia está se estabilizando e que estava na hora de dar ao Conselho Nacional de Transição (CNT) um rápido acesso aos fundos que necessita para cumprir as exigências civis e iniciar a reconstrução.
"Precisamos ajudar o Conselho Nacional de Transição porque o país está devastado, a situação humanitária é difícil e existe uma falta de água, eletricidade e combustível", disse Juppe.
A aprovação da Comissão de Sanções da ONU irá liberar um quinto do total de ativos líbios de cerca de 7,6 bilhões de euros atualmente estacionados na França, e segue a liberação de valor semelhante de fundos nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.
Paralelamente, ao ser perguntado sobre uma carta publicada no jornal Liberation, afirmando que o CNT havia firmado um acordo em abril que daria à França acesso prioritário a 35 por cento do petróleo líbio em troca de seu apoio, Juppe disse não estar ciente de tal carta de acordo. A Reuters viu uma cópia dessa carta.
"Não estou ciente dessa carta", afirmou. "O que eu sei é que o CNT disse muito oficialmente que com relação à reconstrução da Líbia, daria preferência àqueles que ajudaram o país. Isso parece lógico para mim."
O CNT negou as informações e uma fonte diplomática francesa e outra do setor petrolífero disseram não saber nada sobre qualquer acordo de petróleo com a França.
"É uma piada. É falso", disse o porta-voz do CNT Mahmoud Shamman, acrescentando que tal acordo era impensável. Shamman e o primeiro-ministro interino Mahmoud Jabril eram mencionados na carta.
A França está sediando uma conferência internacional sobre a Líbia nesta quinta-feira, quando líderes do CNT sentarão com as potências mundiais para discutir a reconstrução da Líbia.
Apesar de a agenda de três horas ter como foco a reconstrução política e econômica do país africano, negociações nos bastidores devem refletir as disputas por contratos lucrativos em petróleo, serviços públicos, infraestrutura e outras áreas.
"Você sabe que a operação na Líbia custa muito. Também é um investimento no futuro porque uma Líbia democrática é um país que irá se desenvolver, oferecendo estabilidade, segurança e o desenvolvimento na região", disse Juppe.
(Reportagem de Brian Love, John Irish, Yann Le Guernigou e Marie Maitre)
Reuters