Os franceses esperam para ver se o presidente Jacques Chirac apoiará uma polêmica lei trabalhista envolvendo jovens, apesar dos enormes protestos e pedidos por modificações ou anulação do projeto. O Conselho Constitucional deve decidir, nas próximas horas, se a lei é válida ou não. O primeiro-ministro Dominique de Villepin afirma que as medidas são essenciais para conter o desemprego entre jovens.
Chirac deve falar ao país, na noite desta quinta-feira, para sinalizar se apóia Villepin ou se sente que as manifestações de milhões de pessoas nas últimas semanas significam que o governo terá que recuar. O presidente vem apoiando Villepin até agora. Se continuar ao lado do primeiro-ministro, os protestos podem ser prolongados. Já um recuo pode levar à renúncia de Villepin e a uma crise total no governo.
"Esperando por Chirac", diz a manchete do jornal La Croix.
- Ele tem apenas um tiro e se errar, não sei para onde vamos. Não há uma boa solução, temos que pegar a menos pior - disse um assessor de Chirac, segundo o Le Figaro.
O Conselho Constitucional pode rejeitar ou validar a lei - que foi aprovada, mas não promulgada, pela Assembléia Nacional - ou validá-la com reservas. Chirac pode promulgá-la imediatamente se for aprovada. Grupos de estudantes e sindicatos, e uma rara frente unida contra a Lei do Primeiro Emprego (CPE), convocaram uma nova greve para terça-feira. Há dois dias, entre um milhão e três milhões de pessoas foram às ruas para exigir que Villepin desistisse da lei.
"Chirac vai pronunciar as palavras mais importantes do final do seu mandato e saberemos se ele escolheu o caminho do acordo ou do confronto", disse o jornal Liberation.
A lei permite que empresas demitam pessoas com menos de 26 anos durante o período de 2 anos após a contratação. Críticos dizem que isso vai criar uma geração de "trabalhadores descartáveis". Villepin afirma que vai ajudar a reduzir o desemprego entre jovens, que chega a 23%. Comentaristas apontam que os protestos colocaram em perigo o futuro de Villepin, que espera concorrer na eleição presidencial do próximo ano. Uma nova pesquisa, que será divulgada no fim de semana, mostra que o apoio a Villepin entre eleitores do seu partido caiu 16 pontos e que seu índice de aprovação está em apenas 29%, segundo o jornal Le Parisien.