Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

França descarta apoio da ONU para zona de exclusão aérea na Síria

Autoridades da chancelaria francesa disseram, nesta sexta-feira, que dificilmente o Conselho de Segurança da ONU aprovará a implantação de uma zona de exclusão aérea na Síria.

Sexta, 14 de Junho de 2013 às 10:18, por: CdB
Autoridades da chancelaria francesa disseram, nesta sexta-feira, que dificilmente o Conselho de Segurança da ONU aprovará a implantação de uma zona de exclusão aérea na Síria. Diplomatas ocidentais dizem que os EUA cogitam impor uma zona de exclusão aérea no sul da Síria, perto da fronteira com a Jordânia, como forma de coibir ataques das forças governamentais aos rebeldes que há dois anos lutam contra o governo de Bashar al-Assad.
– O problema com esse tipo de medida é que ela só pode ser implantada com a aprovação da comunidade internacional. Uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas é necessária, e não só qualquer decisão – disse Philippe Lalliot, porta-voz da chancelaria francesa, a jornalistas.
Ele acrescentou que essa decisão exigiria uma resolução amparada no artigo 7º da Carta da ONU, autorizando uma ação militar, e que isso é improvável. A Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, é aliada de Assad, e barra sistematicamente qualquer tentativa de intervenção da comunidade internacional nesse conflito.
Lalliot disse que a França ainda não tomou uma decisão sobre entregar armas aos rebeldes, mas que essas questões serão discutidas na cúpula do G8 na semana que vem no Reino Unido.
EUA mentem
Ainda nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Síria disse que os Estados Unidos estão mentindo sobre o uso de armas químicas por parte das forças do governo sírio para ter uma desculpa para intervir na guerra civil do país, que já dura dois anos.
- A Casa Branca... se baseou em informações fabricadas, a fim de responsabilizar o governo sírio pelo uso dessas armas, apesar de uma série de declarações que confirmaram que os grupos terroristas na Síria têm armas químicas - disse o ministério sírio, em nota.
- Os Estados Unidos, ao recorrerem a um uso vergonhoso de pretextos para permitir uma decisão do presidente Obama em armar a oposição Síria, mostram que os EUA têm padrões dúbios na maneira como lida com o terrorismo - acrescentou.
Ataques químicos
O governo do presidente Bashar Al-Assad reagiu à comunicação, realizada nas primeiras horas desta sexta-feira, divulgada pela Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), acerca do uso de armas químicas na Síria. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que o mundo deixou claro que qualquer uso de armas químicas na Síria é inaceitável e representa uma violação do direito internacional.
– Este é... um assunto de grande preocupação. A comunidade internacional já deixou claro que qualquer uso de armas químicas é completamente inaceitável e uma violação clara da lei internacional – disse ele a jornalistas depois de uma reunião em Bruxelas com o primeiro-ministro moldavo, Iurie Leanca.
A Casa Branca disse na quinta-feira que as agências de inteligência dos Estados Unidos concluíram que as forças do presidente sírio, Al-Assad, usaram armas químicas em pequena escala contra os rebeldes na guerra civil da Síria.
Rasmussen saudou a "afirmação clara dos EUA", mas não mencionou qualquer resposta específica da Otan sobre o assunto. A Otan enviou baterias antimísseis Patriot para a Turquia, país membro da Otan vizinho à Síria, mas Rasmussen tem dito repetidamente que a aliança ocidental não tem intenção de intervir militarmente na guerra civil da Síria.
Rasmussen afirmou ser urgente para o governo sírio conceder acesso a Organização das Nações Unidas para investigar todas as denúncias de uso de armas químicas. Ele disse que ainda acreditava que o caminho certo a seguir é uma solução política. Rasmussen pediu ao governo sírio e à oposição para participarem de uma conferência internacional planejada pelos Estados Unidos e Rússia e apelou a todas as partes a "parar o derramamento de sangue imediatamente."
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