França defende envio aéreo de armas para rebeldes líbios
Por Louis Charbonneau e Hamuda Hassan
NOVA YORK/MISRATA, Líbia (Reuters) - A França disse que não violou o embargo de armas da Organização das Nações Unidas ao enviar por via aérea armas aos rebeldes líbios, já que tais armas eram necessárias para proteger civis ameaçados.
Paris se tornou na quarta-feira o primeiro país da Otan a admitir abertamente que havia armado os rebeldes que tentam derrubar o regime de Muammar Gaddafi, alvo de três meses de bombardeios da aliança militar ocidental.
A campanha militar está amparada em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza o uso da força para proteger civis, mas Grã-Bretanha, França e Estados Unidos dizem que não vão parar até que Gaddafi caia.
Citando fontes não-identificadas, o jornal Le Figaro disse nesta semana que a França usou neste mês paraquedas para jogar lançadores de foguetes, rifles de assalto, metralhadoras e mísseis antitanque para os rebeldes nas Montanhas Ocidentais da Líbia.
Um porta-voz militar francês confirmou esse relato, o que levou alguns diplomatas na ONU a questionarem se o envio de armas sem o consentimento do comitê de sanções do Conselho de Segurança não representaria uma violação ao embargo armamentista ora em vigor.
"Decidimos fornecer armas autodefensivas às populações civis porque consideramos que essas populações estavam sob ameaça", disse o embaixador francês junto à ONU, Gerard Araud, a jornalistas.
"Em circunstâncias excepcionais, não podemos implementar o parágrafo 9 quando se trata de proteger civis", disse Araud, referindo-se ao artigo da resolução 1.970 do Conselho de Segurança, adotada em fevereiro, que impôs um amplo embargo armamentista à Líbia.
Na cidade rebelde de Misrata, cerca de 200 quilômetros a leste de Trípoli, seis foguetes caíram na manhã de quinta-feira no bairro de Habara, perto da refinaria de petróleo e do porto. Um jornalista da Reuters em Misrata disse que não houve vítimas.
A Otan negou estar envolvida nas transferências de armas, e aliados da França reagiram com cautela. Gerald Howarth, ministro britânico para a Segurança Internacional, disse que não há razão para criticar Paris, mas acrescentou: "Não é algo que devamos fazer".
Na Guiné Equatorial, onde ocorre uma cúpula da União Africana, o chefe da Comissão da UA, Jean Ping, disse que as armas enviadas à Líbia podem acabar nas mãos de aliados da Al Qaeda na região. "A preocupação da África é que as armas entregues a um lado ou outro... já estejam no deserto e armem terroristas e alimentem o tráfico (de armas)", afirmou.
(Reportagem adicional de Hamid Ould Ahmed em Alger; Lutfi Abu-Aun em Trípoli e Joseph Nasr em Berlim)
Reuters