A Marinha de Guerra brasileira vai abrir um processo administrativo para apurar as causas do encalhe de uma das suas fragatas, na Enseada do Forno, em Arraial do Cabo. A Niterói (F-40) ficou atolada num banco de areia, apesar de ser dotada de ecobatímetro - sonar que mede com precisão a profundidade do mar - e de cartas náuticas elaboradas pela própria Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha. O acidente ocorreu na maré seca, apesar da tábua de marés também ser fornecida pela DHN. A embarcação foi desencalhada pelo rebocador da Petrobrás Ivan Barreto, com o auxílio de mergulhadores militares.
Em nota, a Marinha informou que o problema ocorreu quando a embarcação estava na Enseada do Forno para embarcar uma equipe de especialistas do Centro de Armas da Marinha, que fariam testes operacionais para ajustar os sistemas de bordo, já que a fragata teria acabado de passar por reparos. O navio, que foi construído na Inglaterra e modernizado no Brasil, era comandado pelo capitão de fragata Gilberto Chaves da Silva.
Segundo o mestre Erick Barreto, que pilota embarcações de apoio na região, a fragata encalhou no Baixio da Coroa, onde a profundidade média é de quatro metros, perto do Pontal do Atalaia. Pescadores de Arraial e especialistas em praticagem nos portos do estado acreditam que a fragata pode ter encalhado porque a âncora não estaria bem fixada no fundo e, com isso, correntes marítimas e ventos teriam arrastado a embarcação sem que o comandante notasse.
Um funcionário de praticagem, que não quis se identificar, informou que os navios de guerra não usam prático nos portos do estado e os comandantes da Marinha seriam equiparados aos práticos.
Para o mergulhador e profissional de resgate Jorge Luís de Paula, seja qual for a causa, o encalhe foi um erro. A fragata Niterói, construída em 1976, tem 192 metros, conta com uma tripulação de 217 militares e é dotada de mísseis antinavio e antiaéreo, canhões, lançadores para torpedos e foguetes antissubmarino, além de dois helicópteros, com capacidade para atingir a velocidade máxima de 30,5 nós.