A possibilidade de um novo acordo global de livre comércio passou a ser totalmente incerta nesta segunda-feira, depois do fracasso das conversações entre as maiores potências comerciais para salvar a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. Os ministros do chamado G6 - EUA, União Européia, Austrália, Brasil, Índia e Japão - haviam lançado uma última tentativa para superar suas diferenças em relação à reforma do comércio agrícola internacional, o principal problema da rodada.
- As negociações da OMC estão suspensas - disse o ministro do Comércio e Indústria da Índia, Kamal Nath, acrescentando que a suspensão pode durar meses ou anos.
Neste domingo, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse ao G6 que interromperia a Agenda da Rodada de Doha para o Desenvolvimento - lançada em 2001 com o objetivo de aliviar a pobreza e impulsionar a economia mundial - se a estagnação não acabasse rápido, segundo afirmaram diplomatas antes da reunião. No entanto, as 14 horas de conversações não produziram nenhum avanço no domingo e os ministros voltaram a se reunir nesta segunda-feira, não para negociar, mas para discutir quais deveriam ser os próximos passos.
Lamy, que dirigiu as conversações, convocou uma reunião de todos os membros da OMC para esta segunda. A crise é semelhante à de 1990, durante a Rodada do Uruguai. Essa série de conversações, lançada em 1986, só foi conlcuída em 1993. As negociações de domingo não evoluíram na área dos subsídios agrícolas, conhecida como apoio doméstico, onde os EUA enfrentam pressões para que façam mais concessões.
O secretário da Agricultura dos EUA, Mike Johanns, disse que os principais passos adiante dos outros países "pareceram ficar mais e mais tímidos nas últimas semanas". Representantes da organização, no entanto, disseram que os EUA deveriam ter melhorado sua oferta de cortes de subsídios aos agricultores americanos.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse estar "decepcionado e preocupado".
- É claro que sempre existe o risco de que se percam os progressos obtidos nas nagociações até esta data - afirmou.
Como ponto positivo, destacou que "todos os que conversaram continuam comprometidos". Os EUA disseram que a União Européia e outros membros da OMC, qos quais classifica de protecionistas, não haviam feito o suficiente para reduzir as barreiras em matéria de taxas agrícolas para que se pudesse avançar na área dos subsídios.
- Não abandonamos, mas desafortunadamente ficou claro que para alguns, a opção preferida é um acordo de Doha reduzido - disse a representante comercial americana Susan Schwab antes de um encontro final previsto para terça-feira.