Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Fracassa na Itália plebiscito sobre lei de fecundação

Segunda, 13 de Junho de 2005 às 06:31, por: CdB

Um referendo que revogaria as rígidas leis italianas sobre a lei de fecundação assistida deve fracassar nesta segunda-feira devido ao baixo comparecimento do eleitorado - uma vitória da Igreja Católica, que havia convocado um boicote ao plebiscito.

No domingo, apenas 18,7% dos eleitores foram às urnas, e por isso é improvável que na segunda-feira o comparecimento supere os 50% exigidos. As seções eleitorais fecham às 15h (10h em Brasília).

O alvo do referendo é uma lei de 2004 que proíbe as doações de óvulos e sêmen e o congelamento e pesquisa de embriões, além de permitir o uso de apenas três óvulos em cada tentativa de inseminação artificial.

A rejeição da proposta é uma vitória aguardada há décadas pela Igreja, já derrotada em referendos nas décadas de 1970 e 80 sobre o divórcio e o aborto.

A campanha em favor do referendo reuniu astros pop e atores, como Monica Bellucci, que chamou a atenção com a frase "O que os políticos e padres sabem dos meus ovários?".

Agora esses ativistas temem que o pêndulo se dirija a políticas mais conservadoras e que o direito ao aborto esteja sob ameaça, pois a lei de fertilização assistida reconhece os direitos jurídicos dos embriões.

- A atenção agora vai se voltar para o aborto", disse a ministra das Oportunidades Iguais, Stefania Prestigiacomo, único membro do gabinete que participou ativamente da campanha contra a lei, considerada a mais rígida da Europa a respeito da fertilização in vitro.

- As inconsistências entre as duas leis (reprodução e aborto) são enormes. Prevejo que de curto a médio prazo alguém tomará a iniciativa - ressaltou.

A lei foi criada porque, até então, a Itália era considerada como uma espécie de "Faroeste" da reprodução assistida. Na década de 1990, por exemplo, um médico ajudou uma mulher de 62 anos a ser mãe.

Se o comparecimento aumentar significativamente na segunda-feira, a campanha pelo "sim" espera que o Parlamento revise partes da lei que agora obriga muitos casais a buscarem tratamento no exterior.

- Com menos de 30% sofreremos uma verdadeira derrota. Acima de 30% as questões não serão eliminadas, já que quase todos os votos serão para o 'sim"' - disse Prestigiacomo ao jornal Corriere della Sera.

Mas o jornal disse que provavelmente o comparecimento não superará os 26% dos 49,7 milhões de eleitores registrados.

A menos de 11 meses das eleições gerais, porém, é improvável que o Parlamento faça qualquer tentativa de modificar a lei no futuro próximo.

O referendo também refletiu a enorme divisão entre o norte rico e o sul pobre da Itália. No sul, o comparecimento foi inferior. Não se sabe se isso é sinal da maior influência católica na região ou da tradicional apatia eleitoral dos meridionais.

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