Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Fracassa ação do Incra contra o tráfico

Segunda, 05 de Janeiro de 2004 às 08:18, por: CdB

Um dos principais projetos de assentamento do Incra no Polígono da Maconha (PE) fracassou. Quatro anos após a Operação Mandacaru, maior ação de repressão ao tráfico na região, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), apenas 4 das 79 propriedades usadas para o plantio de maconha viraram assentamentos.

O anúncio de que as 79 áreas seriam desapropriadas sem indenização foi feito em janeiro de 2000, pouco antes do fim da operação, pelo então ministro Raul Jungmann (Política Fundiária).

A intenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra ) era atrair para culturas alternativas agricultores vulneráveis ao tráfico. O dinheiro viria do Projeto Moxotó-Pajeú, financiado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB ), que também gerou poucos resultados.

O Projeto de Lagoa Velha, em Jatubarana (distrito de Santa Maria da Boa Vista, no sertão pernambucano), foi criado em 2000. Lá vivem oito famílias --40 nos 2.500 hectares dos quatro projetos. Não há luz elétrica, e a água vem de um poço artesiano. "Nunca ganhamos nenhum tipo de incentivo do governo federal", disse o presidente do Lagoa Velha, Jorge Luiz Brandão, 30. O Incra só construiu as casas.

A seca impede cultivo. As famílias sobrevivem ou do Bolsa-Escola ou de aposentadoria. Fechada há um ano, a sala de aula da escola virou depósito de gabiroba, vagem que alimenta as cabras. O posto de saúde só abre uma vez por mês. "Tivemos vários exemplos de projetos de sucesso, mas, infelizmente, não são a maioria", afirma o superintendente do BNB em Pernambuco, João Nilton Martins, que calcula que ao menos 20% das famílias que tomaram empréstimo têm dívidas. Diz que faltou integração entre os governos federal e estadual.

A delegacia da Polícia Federal em Salgueiro (PE), um símbolo da Operação Mandacaru, já funcionou com 50 homens, mas hoje só tem 24 para fiscalizar 39 municípios. Não há peritos e papiloscopistas (especialistas em impressões digitais). De cinco, só um carro é preparado para andar nas estradas de terra da região.

A maior reclamação é a falta de um helicóptero. O aparelho é ideal para fiscalizar as plantações de maconha. O diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Getúlio Bezerra, reconhece a falta de estrutura, mas diz não ser localizada: "É nacional. Temos seis helicópteros para todo o Brasil".

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