O presidente do México, Vicente Fox, assumiu na última quinta-feira as demandas exigidas na histórica 'megamarcha' de 27 de junho contra a insegurança e delineou um plano de choque contra a delinqüência do qual dará conta em dois meses.
- O crime não será maior que a energia e a força de nossa união. Unidos, governo e sociedade, venceremos - disse Fox, que prometeu que não haverá 'descanso, nem trégua, nem quartel para os delinqüentes'.
Em uma mensagem emitida à nação por rádio e televisão desde a residência oficial de Los Pinos, o governante se comprometeu a prestar contas em sessenta dias 'deste esforço para que o México seja um país mais seguro'.
Horas antes de sua declaração, ele recebeu quatorze representantes das organizações civis que no domingo passado se juntaram na capital mexicana a uma multidão de 250.000 a 500.000 cidadãos que exigiram pacificamente e em silêncio terminar com o crime e a impunidade.
- Queremos a construção de um grande Acordo de Segurança Pública que permita ao Estado garantir a todos os cidadãos seu patrimônio e sua segurança pessoal - declarou Fox.
- A sociedade nos apresentou muitas e muito interessantes propostas. Todas vão ser consideradas - prometeu Fox, que confia em poder elaborar medidas para os governos federal, estatais e municipais em matéria de segurança.
Fox pediu a todos os membros políticos e sociais para trabalhar juntos pela consolidação de uma só frente, 'a da luta contra a insegurança'.
Um por um, o presidente falou dos dez pontos de seu programa, que incluem a convocação de uma primeira reunião do Conselho Nacional de Segurança (CNS) para 14 de julho, 'com o objetivo de acertar novas e mais contundentes estratégias' contra a delinqüência.
Outro ponto estipulado foi incorporar os procuradores e secretários de segurança pública dos 32 estados da República aos trabalhos do CNS em busca de medidas mais contundentes e para 'acertar novos e mais eficazes mecanismos de coordenação'.
Fox lembrou que 'o combate à insegurança requer a unidade de todos os corpos policiais do país' e também mais transparência, por isso aceitou a proposta cidadã de 'tornar públicas as estatísticas sobre o registro de todos os delitos federais'.
Fox pediu aos governadores dos estados mexicanos para assumir essa medida, assim como a tornar públicos os registros de 'altas e baixas' nas dependências policiais a seu cargo.
Para o orçamento de 2005, o presidente mexicano prometeu um aumento que seja suficiente para 'todas as atividades relacionadas com segurança'.
Igualmente haverá campanhas em meios de comunicação 'que fomentem uma cultura da legalidade e da prevenção junto com a denúncia', da mesma forma que 'uma política de serviço e qualidade total na gestão de denúncias e no estabelecimento de sistemas informáticos que deixem transparentes a averiguação prévia' em relação às mesmas.
Outros pontos mais assumidos pelo presidente foram a criação de um Sistema Federal de Atenção a Vítimas de Delito em coordenação com a sociedade civil, assim como manter 'um processo permanente de depuração dos servidores públicos' no seio da Secretaria de Segurança Pública Federal (SSP) e na Procuradoria Geral da República (PGR).
- A responsabilidade não se circunscreve a um governo, mas a todos: o federal, os estaduais e os municipais. Não compete a um só poder, mas a todos: ao Executivo, ao Legislativo e ao Judicial - declarou o presidente mexicano.
Fox se compromete a combater a delinqüência
Sexta, 02 de Julho de 2004 às 01:18, por: CdB