Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Fórum Pan-Amazônico quer integração com afro-descendentes

O coordenador-geral do IV Fórum Social Pan-Amazônico, Adilson Vieira, informou que neste ano, em Manaus, está sendo feito um esforço grande para garantir a presença da comunidade de afro-descendentes. (Leia Mais)

Quinta, 13 de Janeiro de 2005 às 09:27, por: CdB

O coordenador-geral do IV Fórum Social Pan-Amazônico, Adilson Vieira, informou que neste ano, em Manaus, está sendo feito um esforço grande para garantir a presença da comunidade de afro-descendentes, especialmente de países vizinhos onde a presença deles é maioria, como no caso da Guiana Francesa, e dos quilombos da Amazônia brasileira. Ele admitiu que nos outros fóruns houve presença bastante tímida dos afro-descendentes.

O aumento do número de observadores internacionais também foi lembrado pelo coordenador do IV Fórum Pan-Amazônico, que começa no dia 18 à tarde em Manaus, depois de ter sido realizado em Belém do Pará duas vezes e na Venezuela no ano passado. Adilson disse que na Venezuela o fórum "sofreu algumas falhas devido ao processo político naquele momento". Ele explicou que alguns debatedores não "sentiram segurança" e faltaram.

Além de caravanas completas dos nove países da Bacia Amazônica, está confirmada a presença de observadores dos Estados Unidos, Canadá, Índia, Finlândia e uma comitiva da Comunidade Européia. Segundo o coordenador do fórum, esse aumento do interesse internacional pelas comunidades amazônicas só vem enriquecer os debates. Adilson Vieira lembrou que a agenda tem ultrapassado as questões ambientais, citando os exemplos da Bolívia, Venezuela e Guiana Francesa.

- Haverá inclusive um grande debate acerca da última colônia das Américas, um debate interessante sobre a independência da Guiana Francesa - informou o coordenador do IV Fórum.

Outro assunto que chamará a atenção em Manaus, segundo Adilson, é o "Encontro sem Fronteiras". Para isso, uma caravana de 250 pessoas, do Alto Solimões, da Colômbia, Peru e Brasil, está vindo num mesmo barco. São pessoas que dividem "uma linha imaginária de fronteira" mas que precisam, segundo o coordenador, discutir estratatégias comuns. Ele afirmou que os países da Bacia Amazônica estão numa "região estratégica para a humanidade" e por isso precisam pensar diferente.

- É preciso ultrapassar os conceitos de fronteiras e estados - disse Adilson Vieira, que também é secretário-geral do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que reúne mais de 500 associações e organizações não-governamentais (Ongs). Ele lembrou a importância da participação no IV Fórum dos Indígenas da Amazônia que vivem em regiões de fronteiras abertas, passando de um país para outro.

Ao contrário do primeiro Fórum Pan-Amazônico, realizado em 2002 em Belém do Pará (organizado para receber 500 pessoas, mas para o qual apareceram mais de três mil), o deste ano, em Manaus, segundo o coordenador, está com a previsão de receber 10 mil pessoas.

Mais de 600 voluntários trabalham na infra-estrutura. No primeiro, lembra Adilson, "foi apenas um ensaio, nem sabíamos como era construir essa outra Amazônia possível". Em 2002, cada país amazônico mandou um ou dois representantes.

- Hoje, são caravanas, algumas com centenas de pessoas - completou.

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