Difundir as competências do software livre no desenvolvimento de negócios. Esse é o objetivo do III Fórum Amazônico de Software Livre (Fasol), que será realizado entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro, no Instituto Federal do Pará (IFPA) de Santarém, estado do Pará, no Norte do Brasil. O evento, que acontece anualmente, terá como tema em 2011: "Linux Business: cresça com sua empresa usando Software Livre”. A partir desta segunda-feira (22), as inscrições poderão ser feitas em oito pontos locais de divulgação.
"Percebemos a necessidade de levar informações sobre o tema para o empresariado da região, que é um público que não conseguimos atingir”, explica Caio Rego, coordenador geral do evento. Ele avalia que o software livre é bastante utilizado por organizações sociais e governos, mas que empresários ainda não despertaram para as qualidades técnicas desses programas.
O tema deste ano dá continuidade aos debates realizados nas edições anteriores. No primeiro ano, 2009, o evento teve como foco mostrar que as ferramentas disponíveis nos softwares proprietários também estavam disponíveis em código aberto. Já em 2010, o Fasol abordou os aspectos legais do software livre, reunindo cerca de sete mil pessoas nos quatro dias de Fórum.
De acordo com Caio Rego, o evento surgiu com o desafio de aproximar a questão do software livre das discussões acadêmicas. "Nas universidades, esse é um tema pouco trabalhado, ainda visto como alternativa. O aprendizado fica por conta própria dos alunos”, avalia. O ciclo de palestra, que seria para universitários, reuniu um público bem superior ao esperando, reunindo movimentos, organizações, projetos de inclusão digital, jovens da periferia de Santarém, dentre outros.
"O software livre é o futuro das instituições. O governo precisa criar políticas públicas de incentivo e trazer ele para dentro das universidades”, aponta Caio. Ele ressalta a importância de se investir em sistemas operacionais que cumprem com um papel social de difusão do conhecimento e se contrapõe ao lucro. Além do âmbito ideológico, "esses softwares apresentam superioridade técnica”, por ser colaborativo, eles estão sempre em aperfeiçoamento pelas mãos "de milhares desenvolvedores em todo o mundo”, explica o coordenador.
Com o Fasol 2011, a ideia é mostrar que o software livre é uma alternativa economicamente viável para o empresariado da região. "Não é coisa de projeto social, não é caridade”, afirma Caio. Para ele, é fundamental que os empresários da região invistam para que, no futuro, haja mão-de-obra suficiente para oferecer suporte de software livre. "Infelizmente, se todos os empresários aderissem neste momento, não haveria profissionais suficientes”, analisa.
Para o coordenador, a principal dificuldade encontrada para a difusão do software livre está relacionada a uma falta de conscientização dos usuários. "Temos uma geração que cresceu utilizando software privados e tem dificuldade em aceitar o novo”, acredita. Caio Rego aponta que essa cultura logo será superada por meio de uma política de difusão, com participação de escolas e governos. "Novas gerações vão conhecer e, inclusive, vão repassar para gerações passadas [acostumadas com software privado]”, aposta.
Inscrições
Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), Universidade Paulista (Unip), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Instituto Esperança de Ensino Superior (Iespes), União dos Estudantes de Ensino Superior (UES), Pontão de Cultura Digital e Casa Brasil são os locais para inscrição, os quais estão localizados em Santarém. O valor da inscrição é R$ 15, com direito a certificado e kit do participante. No entanto, toda a programação, com palestras, oficinas e mini-cursos, será aberta à participação.
Para mais informações: http://fasol.org.br/