Fórum da ONU vai testar determinação mundial sobre Síria
Por Stephanie Nebehay
GENEBRA (Reuters) - A Síria estará no banco dos réus na sexta-feira no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A sessão representará um teste à determinação das potências mundiais, que até agora não condenaram a violenta repressão síria contra os manifestantes, disseram diplomatas e ativistas.
A sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos, solicitada pelos Estados Unidos, opõe os países do Ocidente contra China e Rússia, que, junto aos países muçulmanos, normalmente são contra a interferência externa nas crises.
Uma iniciativa europeia para que o Conselho de Segurança da ONU condenasse a repressão na Síria foi bloqueada na quarta-feira, por resistência de Rússia, China e Líbano -- um mau presságio para que se atinja um consenso no fórum de direitos humanos em Genebra, formado por 47 membros.
"Temos de ser capazes de enviar uma mensagem bem forte a Damasco. Precisamos abrir os olhos de alguns países que são membros do Conselho de Direitos Humanos e do Conselho de Segurança", disse à Reuters um diplomata ocidental.
As forças de segurança sírias mataram ao menos 500 civis na repressão ao "levante democrático pacífico" contra o presidente Bashar al-Assad, informou a organização de direitos humanos síria Sawasiah na quinta-feira.
O governo norte-americano quer que o fórum de direitos humanos da ONU dê início a uma investigação internacional independente sobre mortes, prisões em massa e tortura cometidas pelas forças sírias.
"É totalmente apropriado que o Conselho de Direitos Humanos condene a violência proposital do governo contra manifestantes políticos pacíficos", disse a embaixadora para os direitos humanos dos EUA, Eileen Donahoe, em um comunicado nesta semana.
O exilado sírio Radwan Ziadah, que chefia o Centro para Estudos de Direitos Humanos de Damasco, disse numa entrevista coletiva na quinta-feira: "É importante haver uma investigação internacional sobre as mortes, porque não haverá nenhuma comissão digna de crédito formada pelo governo. Sabemos que esse regime não é reformável."
As forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes em 16 cidades. O maior número de mortes ocorreu na cidade de Deraa, no sul do país, onde foram enviados tanques para acabar com a resistência, no subúrbio de Douma, no norte de Damasco, afirmou ele.
"A tática mais preocupante usada pelo regime sírio é a de francoatiradores", afirmou Ziadah. "As ambulâncias estão sendo alvejadas."
A Síria também está em campanha para ganhar um assento do Conselho de Direitos Humanos. Essa votação ocorrerá na Assembleia Geral no dia 20 de maio.
"Um objetivo dos Estados Unidos é destruir a candidatura da Síria", disse a jornalistas Julie Gromellon, da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH).
China e Rússia, ao lado de Cuba e Paquistão, opõem-se a apontar países para serem investigados e devem votar contra a resolução norte-americana, dizem diplomatas.
Os países da América Latina e da África são vistos como indecisos e sujeitos a lobby -- incluindo Brasil, Argentina, Chile e México, assim como Gana, Senegal e Zâmbia.
A sessão também representa um desafio à união árabe em meio ao temor na região de iniciativas contra o Barein e o Iêmen, que também reprimiram manifestantes em seus países.
Reuters