Até o fim da manhã desta quinta-feira, a Defesa Civil do Estado de São Paulo já havia confirmado cinco mortos em virtude da forte chuva na madrugada na capital paulista e na região da grande São Paulo. Os bombeiros continuavam o trabalho em busca de um casal desaparecido no desmoronamento de uma casa, no bairro do Grajaú, Zona Sul da cidade.
O coordenador da Defesa Civil do município, coronel Jair Paca de Lima, informou que dez moradias foram interditadas na região onde houve o deslizamento de terra, no Grajaú. No local, os bombeiros resgataram cinco pessoas, das quais uma criança chegou a ser socorrida em pronto-socorro, mas acabou não resistindo aos ferimentos graves.
Um idoso morreu soterrado no desabamento de uma casa, na rua Rifaina, 570, no bairro Vila Anglo Brasileira, na Zona Oeste. As outras três mortes, ocorreram uma em Mauá, município da grande São Paulo, e as demais em Ribeirão Pires. Com essas ocorrências, até o final da manhã desta quinta-feira, subiu para 55 o total de mortos pelas chuvas desde o início da Operação Verão, que começou em dezembro.
A situação foi de caos na cidade, com motoristas ilhados, carros submersos e vias bloqueadas em mais de 50 pontos de alagamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), registrou trânsito recorde com 111 Km de lentidão, provocada pelas vias intransitáveis.
As linhas de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tiveram pontos alagados, impedindo a circulação dos trens. Só entre às 8h30 e 9h é que as composições puderam voltar a circular. Muitos ônibus urbanos também ficaram retidos e com todos esses obstáculos, milhares de trabalhadores tiveram dificuldade para chegar ao trabalho.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as áreas sul e oeste foram as mais atingidas pelo temporal. A corporação registrou 62 ocorrências, sendo 10 desabamentos. Entre as regiões inundadas, está a da Ceagesp, o maior entreposto de hortifrutigranjeiros, que sofreu a terceira cheia desde setembro do ano passado. Filas de caminhões retidos pelas enchentes, com mercadorias vindas do interior estão à espera da liberação do local. Os prejuízos ainda estão sendo calculados.
De acordo com nota da Defesa Civil da cidade, equipes estão avaliando a situação em áreas mapeadas com riscos de deslizamentos. As regiões listadas são: Perus, Pirituba, Freguesia do Ó, Casa Verde, Santana, Jaçanã, Butantã, Lapa, Campo Limpo, M’Boi Mirim, Capela do Socorro, Parelheiros, Cidade Ademar, Santo Amaro, Jabaquara, Ipiranga, Penha, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista Cidade Tiradentes, São Mateus, Guaianazes, Vila Prudente e Aricanduva.
Previsão
Uma frente fria que está sobre o estado de São Paulo, a exemplo de outros estados do Sudeste e do Sul do país como o Rio de Janeiro e o Paraná, deve deixar o tempo instável pelo menos até o final da semana. O calor e a umidade continuam favorecendo os temporais.
Segundo a metereologista Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), estão previstas novas pancadas de chuva forte para a cidade de São Paulo.
Ela informou que o volume de chuva já superou a média histórica para o mês de janeiro, que é de 258 milímetros. Até esta quarta-feira, sem incluir ainda o balanço das ocorrências na madrugada desta quinta-feira, o acumulado estava em 265 milímetros. Só no medidor do Mirante de Santana, que mede o volume na Zona Norte, foram registrados 43 milímetros.
Desde dezembro, já foram confirmadas 52 mortes no Estado de São Paulo.
Protesto
Em protesto contra os alagamentos provocados pelas fortes chuvas das últimas semanas, manifestantes incendiaram na noite desta quarta-feira um ônibus na Avenida Dona Belmira Marin, no Bairro Bororé, Zona Sul de São Paulo. A via ficou bloqueada durante a manifestação. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram chamados para acalmar os ânimos dos populares.
Segundo a polícia, não houve prisões nem feridos. A manifestação foi contida às 21h. Embora os bombeiros tenham conseguido apagar o fogo, a pista continuou bloqueada.