Fornecedores internacionais de soja decidiram, nesta quinta-feira, suspender temporariamente as vendas da oleaginosa a esmagadores da China, que enfrentam dificuldades financeiras devido ao excesso de oferta do produto e às medidas de redução do crédito adotadas pelo governo do país.
Os representantes dos principais fornecedores decidiram também, em uma reunião informal realizada na capital chinesa, que não aceitarão renegociações nos valores dos contratos já fechados para compra de soja da América do Sul.
Fontes na indústria de processamento de soja na China disseram que a ação dos fornecedores deverá ajudar a melhorar a margem de lucro dos esmagadores, que estão em dificuldade com altos custos de importação da soja, a fraca demanda interna por farelo e o aperto do crédito.
- Nós vamos parar de oferecer o produto para a China por enquanto. A intenção não é prejudicar o comércio, mas ajudar a estabilizar o mercado chinês - disse um dos participantes do encontro.
Traders que estiveram no encontro disseram que muitos esmagadores pediram nos últimos dias para adiar ou cancelar carregamentos de soja fechados em valores mais altos que os atuais, e que alguns não conseguiram obter as cartas de crédito estipuladas nos contratos.
- Todos têm problemas com performance, no entanto, os fornecedores compartilham da opinião de que não podemos aceitar as quebras de contrato e faltas de pagamento - disse a fonte.
Com aproximadamente 4,5 milhões de toneladas de soja previstas para chegar na China em maio e junho, fornecedores estão preocupados sobre possíveis calotes, já que muitos contratos foram fechados antes das quedas nos futuros em Chicago e do recuo dos valores dos fretes marítimos.