Forças sírias matam dezenas de manifestantes
Por Khaled Yacoub Oweis
AMÃ, Jordânia (Reuters) - Forças de segurança sírias mataram dezenas de manifestantes na sexta-feira no dia mais violento em um mês de protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad.
O ativista Ammar Qurabi disse que ao menos 49 pessoas foram mortas em meio aos protestos em todo o país, a maioria baleadas e outras após inalarem gás lacrimogêneo. Segundo ele, várias outras pessoas ficaram feridas e cerca de 20 estão desaparecidas.
Não é possível confirmar independentemente as informações.
Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas ao redor da Síria e cantaram pela "derrubada do regime," refletindo o endurecimento das reivindicações que inicialmente tinham como foco reformas e mais liberdade.
Os protestos, que ocorreram apesar de Assad ter suspendido o estado de emergência um dia antes --reivindicação central dos manifestantes-- foram reprimidos a bala e com gás lacrimogêneo, disseram testemunhas.
"Esse foi o primeiro teste sobre a seriedade das autoridades e eles fracassaram," disse Qurabi.
Antes da violência de sexta-feira, os grupos de direitos humanos diziam que mais de 220 pessoas haviam morrido desde o início do levante, em 18 de março, na cidade de Deraa, no sul do país.
Assim como nas revoluções da Tunísia e do Egito, que derrubaram do poder Zine al-Abidine Bem Ali e Hosni Mubarak, os cidadãos se rebelam contra a falta de liberdade e oportunidades, a impunidade das forças de segurança e a corrupção que enriqueceu a elite, enquanto um terço dos sírios vive abaixo da linha da pobreza.
Na quinta-feira, Assad assinou um decreto suspendendo a lei de emergência imposta pelo Partido Baath assim que assumiu o poder após um golpe, há 48 anos. Outras leis, porém, ainda dão amplos poderes às forças de segurança e a oposição intensificou as demandas por concessões.
Na primeira declaração conjunta desde o início dos protestos, ativistas que coordenam as manifestações populares exigiam na sexta-feira a abolição do monopólio do poder do Partido Baath e o estabelecimento de um sistema político democrático.
"Todos os prisioneiros de consciência devem ser libertados. O aparato de segurança existente deve ser desmantelado e substituído por um com jurisdição específica e que opere de acordo com a lei," disseram eles no comunicado, que foi enviado à Reuters.
Com o auxílio da família e do aparato de segurança, Assad, que tem 45 anos, detém o poder absoluto na Síria.
Os protestos correram o país de 20 milhões de habitantes, da cidade mediterrânea de Banias às cidades do leste de Deir al-Zor e Qamishli. Em Damasco, as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo para dispersar 2 mil manifestantes no distrito de Midan.
Na cidade de Hama, onde o pai de Assad reprimiu violentamente um levante armado há quase 30 anos, uma testemunha disse que as forças de segurança abriram fogo para evitar que os manifestantes chegassem ao quartel-general do Partido Baath.
Testemunhas afirmaram que as forças de segurança também atiraram contra manifestantes no distrito de Barzeh de Damasco, na cidade de Homs, no subúrbio de Douma, em Damasco, e contra manifestantes que iam para a cidade de Deraa, onde o levante sírio começou há cinco semanas.
(Reportagem adicional de Suleiman al-Khalidi, em Amã; Yara Bayoumy e Mariam Karouny, em Beirute, e Sami Aboudi, no Cairo)
Reuters