Os militares russos avançaram na sexta-feira para uma vila a 45 quilômetros de Tbilisi, capital da Geórgia, na sua maior incursão desde o início do conflito, na semana passada.
A Reuters viu inicialmente dez blindados passando pela estrada que vem de Gori, cidade ocupada a 25 quilômetros da fronteira com a Ossétia do Sul. Duas horas depois, outros dez blindados chegaram à vila de Igoeti. Vários pegaram estradas vicinais. Ao todo, cerca de 200 soldados participaram da operação.
O governo disse que a Rússia invadiu duas outras cidades na região central (Khashari e Borjomi), o que não pôde ser verificado. O avanço russo coincide com a visita a Tbilisi da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, que voltou a pedir a imediata retirada russa da Geórgia.
Moscou declarou um cessar-fogo na terça-feira, mas disse que continuaria ocupando instalações militares e paióis de munição abandonados.
Um comandante russo que chegou a Igoeti disse que a mobilização de tropas não seria agressiva.
- Para criar a paz, para aumentar a separação entre as forças e para parar não a guerra entre as nossas Forças Armadas e as da Geórgia, mas entre civis georgianos e ossétios. E para parar a guerra entre bandidos - disse o general Vyacheslav Borisov, quando questionado por jornalistas sobre a razão dessa ocupação.
Mas o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, disse que a presença russa em seu país causa "grande preocupação".
- Temos uma crescente área de ocupação russa em nosso território - disse ele a jornalistas.
A polícia e os militares georgianos presentes na estrada próxima a Igoeti não esboçaram reação ao avanço russo, do qual inicialmente participaram também três helicópteros em vôos rasantes.
O atual conflito no Cáucaso começou na semana passada, depois que a Geórgia enviou tropas para tentar retomar o controle da Ossétia do Sul, uma província separatista, etnicamente diversa, que desde a década de 1990 goza de autonomia sob proteção de Moscou.
A Rússia reagiu levando tropas para dentro da Ossétia do Sul e de lá para a Geórgia propriamente dita. Na quinta-feira, tropas russas eram vistas na cidade de Gori, no porto de Poti e em Zugdidi, localidade vizinha à Abkházia, outra república separatista da Geórgia que tem apoio militar da Rússia.
Com apoio do Ocidente, a Geórgia pede à Rússia que desocupe Gori e acusa milícias irregulares do país vizinho de terem também cruzado a fronteira para cometer saques e incêndios em aldeias georgianas.