Forças lideradas pelos Estados Unidos combateram rebeldes em áreas próximas a algumas das mais sagradas mesquitas xiitas no Iraque, no sábado. Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para que um governo provisório realmente tenha controle de questões militares.
Testemunhas disseram que pelo menos dois membros da milícia liderada pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr foram mortos e sete foram feridos em confronto próximo às mesquitas de Imam Hussein e Imam Abbas, em Kerbala -- umas das mais sagradas entre os xiitas.
Tiros de tanques ecoaram nas ruas estreitas próximas aos templos xiitas.
Em Najaf, após intenso combate na sexta-feira, pelo menos dois tanques norte-americanos posicionaram-se próximos à principal delegacia da cidade, a cerca de dois quilômetros da mesquita de Imam Ali, enquanto confrontos ocorriam em outras cidades no sul predominantemente xiita.
Os EUA pretendem transferir a soberania aos iraquianos no final de junho, apesar da onda de violência. Mas os norte-americanos devem manter o controle das forças iraquianas após a entrega de poder.
De acordo com Washington, as forças locais de segurança, que estão sendo reorganizadas após o exército de Saddam Hussein ser desmantelado com a invasão dos EUA no ano passado, não estão prontas para atuar quando um governo provisório assumir o poder.
A pressão, no entanto, está crescendo contra os EUA, mesmo por parte de seus aliados, para que poder real e comando militar efetivo sejam entregues aos iraquianos.
Ahmad Chalabi, membro do Conselho de Governo apoiado pelos norte-americanos, disse que os iraquianos não "aceitariam uma soberania limitada e questionável".
"Eles insistem na soberania completa. Isso significa que eles devem ter controle total de suas forças armadas", acrescentou ele em entrevista à Reuters.
O ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, pediu uma transferência de soberania em que os iraquianos pudessem vetar um ataque como aquele ocorrido em Falluja, a oeste de Bagdá, no mês passado, em que centenas de pessoas podem ter morrido. A Itália faz parte da coalizão liderada pelos EUA.
"Se imaginarmos uma decisão unilateral pelas forças de coalizão após 30 de junho, sem escutar o povo iraquiano ou sem entregar aos iraquianos o poder de dizer 'não', não ocorrerá uma transferência de poder", disse Frattini após um encontro do G8 (grupo dos oito países industrializados mais ricos do mundo).
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, insistiu na sexta-feira durante as negociações do G8 em Washington que o comando militar dos EUA no Iraque deve continuar "livre para tomar quaisquer decisões que ele acredita serem apropriadas para cumprir sua missão".
Powell e a Casa Branca disseram que as tropas norte-americanas deixariam o Iraque se o governo provisório pedisse sua retirada. Mas o secretário deixou claro que acredita que a saída dos EUA é muito improvável.
O impasse em relação à transferência de poder em 30 de junho ameaça outra questão no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em que os EUA esperam cravar uma resolução para dar o selo de aprovação no que o país afirma ser uma transferência de soberania.
A questão também é complicada pela exposição de abuso de prisioneiros cometido por soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá