Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Forças dos EUA ajudam vítimas de enchentes no Haiti

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 14:30, por: CdB

A descoberta de mais de mil corpos numa cidadezinha remota do Haiti elevou o número de mortos nas enchentes na ilha de Hispaniola para quase 2.000. Liderada pelos Estados Unidos, a força de segurança multinacional se uniu aos trabalhos humanitários na quinta-feira, levando água e mantimentos às áreas atingidas.

A força multinacional, que está no Haiti para restabelecer a ordem depois de uma revolta em fevereiro e que será substituída por uma força de paz das Nações Unidas, uniu-se à ONU e a outras agências internacionais para ajudar as cidades devastadas do Haiti e da República Dominicana, arrasadas por chuvas torrenciais.

Na quarta-feira, foram descobertos mais de mil corpos na cidade de Mapou. "Mapou está no meio de um vale e a cidade está praticamente submersa", disse o tenente-coronel David Lapan, porta-voz da força multinacional. "Parece um lago, quando se olha de cima".

O número de mortos no Haiti era estimado em 1.660, e outros 300 foram registrados na República Dominicana, a maioria próximo à fronteira com o Haiti.

Os haitianos enfrentam o maior desastre natural em anos, menos de três meses depois que uma revolta armada matou mais de 200 pessoas e culminou com a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Um governo provisório, instalado com a ajuda da ONU e de outros países, vem comandando o país desde março.

Os 3.500 integrantes da força liderada pelos EUA estão agora concentrados nos trabalhos de resgate e ajuda aos desabrigados, enviando água e suprimentos de emergência de helicóptero para as áreas mais atingidas.

"É uma missão de reconhecimento. Eles estão levando comprimidos de cloro para tornar a água potável", disse Bernard Barrett, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que ressaltou que o espaço nos helicópteros é pequeno.

A ONU afirmou que estava mandando equipes especializadas em desastres naturais para examinar a situação. "Eles vão avaliar as necessidades com rapidez e coordenar os trabalhos de emergência", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Segundo ela, estava sendo organizada para quinta-feira uma expedição incluindo agências da ONU e entidades como os Médicos Sem Fronteiras até Mapou, região que ainda era ameaçada por tempestades.

Na República Dominicana, ainda havia centenas de desaparecidos. O presidente, Hipólito Mejía, declarou um dia de luto nacional.

Sobreviventes afirmam que as águas subiram três metros. Apesar de ter bolsões de pobreza, a República Dominicana tem uma situação econômica melhor que a do vizinho Haiti, o país mais pobre do continente.

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