Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Forças de segurança do Iraque entram em alerta para ritual religioso

Mais de um milhão de muçulmanos xiitas se reuniram em santuários e mesquitas pelo Iraque nesta terça-feira para o ritual religioso de Ashoura, e as forças de segurança do Iraque foram colocadas em estado de alerta devido a ataques que resultaram em vítimas durante peregrinações passadas.

Terça, 04 de Novembro de 2014 às 08:38, por: CdB
ritualiraque.jpg
Muçulmano xiitas fazem cortes em suas cabeças em ritual da Ashoura, em Bagdá Human Rights Watch diz que mais de 150 foram espancadas com cabos e obrigadas a assistir a vídeos de decapitações durante seis meses
Mais de um milhão de muçulmanos xiitas se reuniram em santuários e mesquitas pelo Iraque nesta terça-feira para o ritual religioso de Ashoura, e as forças de segurança do Iraque foram colocadas em estado de alerta devido a ataques que resultaram em vítimas durante peregrinações passadas. A presença de militantes radicais do Estado Islâmico no Iraque, que tomaram o norte do país neste ano, aumenta a possibilidade de mais violência em uma época de aglomeração de multidões. O Estado Islâmico, considerado mais implacável do que seu antecessor no Iraque, a Al Qaeda, acredita que os xiitas são infiéis que merecem ser mortos, e o grupo já reivindicou responsabilidade por diversos atentados suicidas contra membros da seita majoritária iraquiana. A segurança para o evento tem sido reforçada desde que homens-bomba da Al Qaeda e disparos de morteiros mataram 171 pessoas durante a Ashoura, um evento que define a seita xiita e sua cisão com o Islâ sunita, em Kerbala e Bagdá em 2004. Os xiitas estão homenageando a morte de Hussein, neto do profeta Maomé, na batalha de Kerbala em 680 d.C. Na cidade sagrada de Kerbala, centenas de milhares de peregrinos se reuniram fora do Santuário do Imã Hussein cantando: “Hussein, Hussein, Hussein”. Durante o ritual, os xiitas batem em suas cabeças e peitos e ferem suas cabeças com espadas para mostrar seu luto e ecoar o sofrimento do imã Hussein. No passado, suicidas se passaram por peregrinos infiltrados em grandes multidões, e militantes dispararam salvas de morteiro em aglomerações nos arredores de Kerbala. Sob o governo secular de Saddam Hussein, tais manifestações religiosas eram proibidas no Iraque, que era governando principalmente por sunitas e pelo partida Baath. Desde que o ditador foi derrubado em 2003, xiitas dominam os governos no Iraque, mas abertamente praticar a fé em grandes multidões coloca a seita majoritária em risco de sofrer atentados de grupos radicais sunitas. Ataques do Estado Islâmico contra xiitas ajudaram a colocar a violência no país de volta aos alarmantes níveis vistos em 2006 e 2007, quando a guerra sectária estava em seu auge. Durante o ritual em Kerbala, xiitas falavam em tom desafiador, apesar dos novos perigos representados pelo Estado Islâmico. - O Estado Islâmico não pode nos impedir de vir aqui com sua violência - disse o peregrino Ali Ajaj, de 65 anos. Sua esposa, Um Mohammed, relembra como os agentes de Saddam Hussein mataram dois de seus filhos, uma tragédia que a deixou mais determinada a praticar sua fé. - Carros-bombas e explosões do Estado Islâmico não me impedirão de vir. Estado Islâmico O grupo militante Estado Islâmico libertou 93 curdos sírios capturados em fevereiro durante o avanço dos jihadistas do norte da Síria para o vizinho Iraque, disse nesta terça-feira um grupo que monitora o conflito. O Estado Islâmico sequestrou cerca de 100 pessoas acusadas de serem integrantes do grupo curdo adversário dos militantes Partido de União Democrática (PYD), de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado na Grã-Bretanha. Não ficou claro porque elas foram soltas. Alvo de ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos na Síria e no Iraque, o Estado Islâmico soltou todos menos seis reféns curdos na Síria na segunda-feira, disse o Observatório. Os que permaneceram detidos foram acusado de roubo, e o Estado Islâmico disse que vai cortar fora a mão direita deles como punição, acrescentou o Observatório, que reúne informações por meio de uma rede de fontes. Os curdos foram capturados enquanto atravessavam áreas nos arredores da cidade Síria de Kobani, na fronteira com a Turquia, em uma estrada a caminho do Curdistão iraquiano. O Estado Islâmico também enfrenta combatentes curdos no Iraque. Dezenas de milhares de curdos sírios usaram a rota a caminho do Iraque este ano para escaparem do avanço do Estado Islâmico na Síria. Nas últimas semanas, o Estado Islâmico intensificou o ataque a Kobani e arredores. Entre os curdos soltos na segunda-feira, 53 conseguiram chegar à Turquia, e a localização dos outros 40 é desconhecida, disse o Observatório. Os militantes ainda mantêm cerca de 70 curdos como reféns, acrescentou o grupo. Crianças curdas
criancascurdas.jpg
Os membros do “Estado Islâmico” na Síria forçaram crianças e adolescentes a assistir vídeos de decapitações e as submeteram a espancamentos, usando cabos, durante seis meses em cativeiro, denunciou nesta terça-feira a ONG Human Rights Watch. Os radicais muçulmanos sunitas sequestraram um grupo de crianças em 29 de maio quando elas voltavam para a cidade Síria de Kobane, depois de fazerem provas em escola em Aleppo. Os últimos 25 reféns foram libertados em 29 de outubro. O abuso de mais de 150 crianças, muitas por até seis meses, pode ser considerado crime de guerra, diz a Human Rights Watch, citando o depoimento de quatro garotos sequestrados. Eles relataram que eram forçados a rezar cinco vezes por dia e que eram submetidos a educação religiosa intensa, além de serem obrigados a assistir vídeos de membros do “Estado Islâmico” em combate ou decapitando reféns. “Aqueles que não estavam em conformidade com o programa foram espancados. Eles nos batiam com uma mangueira verde ou um cabo grosso. Também bateram nas solas dos nossos pés", contou um dos meninos. "Algumas vezes, encontravam motivos para nos espancar sem razão. Eles nos fizeram decorar trechos do Alcorão e batiam em quem não conseguia aprendê-los”. Os meninos disseram que não receberam explicações para a libertação, exceto a de que a "educação religiosa" tinha acabado. As últimas crianças liberadas estão agora buscando abrigo na Turquia, segundo a organização de direitos humanos. Os sequestradores, que vieram da Síria, Jordânia, Líbia, Tunísia e Arábia Saudita, teriam dito aos jovens que dessem o endereço de parentes, ameaçando: "Quando nós formos a Kobane, vamos pegá-los e cortá-los em pedaços." Outras crianças curdas e adultos ainda estão em cativeiro, segundo a ONG. O “Estado Islâmico” também é acusado de manter cerca de dez reféns ocidentais, incluindo jornalistas estrangeiros. O grupo conquistou territórios do Iraque e da Síria, e seus combatentes mataram ou expulsaram os muçulmanos xiitas, cristãos e outros integrantes de comunidades que não compartilham a interpretação estrita do Alcorão. Os Estados Unidos e seus aliados têm atacado alvos do "Estado Islâmico" nos dois países desde agosto. Os bombardeios foram intensificados em outubro, depois de os insurgentes se movimentarem na cidade Síria de Kobane, na fronteira com a Turquia.
Tags:
Edições digital e impressa