As forças de paz da África Ocidental, cujos primeiros homens chegaram há 24 horas na Libéria, continuam se mobilizando nesta terça-feira para garantir a segurança nas regiões estratégicas do país e para permitir a chegada de ajuda humanitária.
O presidente da Libéria, Charles Taylor, disse por sua vez nesta segunda-feira ao presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que deixará o país na próxima semana, depois de passar o cargo para o vice-presidente Moses Blah. Taylor vai para a Nigéria, cujo dirigente, Olusegun Obasanjo, ofereceu-lhe asilo no último dia 6 de julho.
Taylor é acusado de crimes de guerra por uma Corte judicial estabelecida em Serra Leoa e tanto a presidência dos Estados Unidos como o Departamento de Estado americano insistem para que responda a estas acusações.
Os oficiais da força de paz da África ocidental que está se espalhando pela Libéria são esperados nesta terça-feira na parte da Monróvia controlada pelos rebeldes dos Liberianos Unidos para a Reconciliação e da Democracia (Lurd).
A direção do Lurd tinha afirmado nesta segunda-feira que depois da chegada dos soldados da paz, seus homens se retirariam das zonas que controlam em Monróvia, especialmente o porto, em poder dos rebeldes desde 17 de julho, situado ao norte dos bairros de Via Town e Clara Town, também nas mãos dos rebeldes e onde deve ser realizado o encontro.
Disparos de mísseis e armas leves continuam em Monróvia nesta terça-feira entre os rebeldes dos Lurd e as forças governamentais que apóiam o presidente Charles Taylor, segundo várias fontes.
Três membros de uma mesma família foram gravemente feridos por um míssil que caiu em sua casa no bairro de West Point, perto das duas pontes que levam ao porto, nas mãos de rebeldes desde meados de julho, ao centro da cidade, sede do poder de Taylor.
Patrick Broh, da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), disse à AFP que "esta manhã (terça-feira) houve disparos com armas leves: uma mulher foi ferida no peito e outra e seu bebê foram atingidos".
Cerca de 100 pessoas morreram desde que foram retomados os combates, a maioria civis. Os combates já levaram 200 mil pessoas a deixar Monróvia, onde os primeiros soldados nigerianos da Missão da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental na Libéria (Ecomil), cerca de 300 homens, chegaram nesta segunda-feira para pôr fim ao combate e facilitar a entrega de ajuda humanitária.
Um dos chefes rebeldes, o "comandante Jacob", declarou à AFP que as forças do governo estão preparando uma ofensiva que pode começar "nesta terça ou quarta".
Forças de Paz tentam controlar zonas estratégicas na Libéria
Terça, 05 de Agosto de 2003 às 11:41, por: CdB