Forças de Gaddafi usaram bombas proibidas em Misrata, diz grupo
Por Fredrik Dahl
TÚNIS (Reuters) - A organização de direitos humanos Human Rights Watch acusou as forças leais ao líder líbio Muammar Gaddafi de usar munições proibidas para atacar o reduto rebelde de Misrata, ameaçando a vida de civis.
Um porta-voz do governo líbio rejeitou a acusação.
As munições de cacho, disparadas de artilharia ou foguetes, podem espalhar bombas em uma área ampla. Muitas vezes não detonam imediatamente e podem explodir anos depois de um conflito, matando ou mutilando pessoas, de acordo com grupos humanitários.
A Human Rights Watch disse em comunicado que as forças do governo dispararam essas bombas em áreas residenciais de Misrata, no oeste do país, "representando um grave risco para os civis".
O grupo disse ter observado no mínimo três destas bombas explodirem no bairro de el-Shawahda na noite de 14 de abril.
"Pesquisadores inspecionaram os restos de uma munição de cacho e entrevistaram testemunhas sobre outros supostos dois ataques com esse tipo de bomba", afirmou o grupo em sua página na Internet, que também trazia fotos do que dizia ser restos de munições usadas em Misrata.
O diretor da divisão de armas da Human Rights Watch, Steve Goose, disse: "É lastimável que a Líbia esteja usando essa arma."
O porta-voz do governo, Mussa Ibrahim, rejeitou as alegações. "Eu os desafio a provar."
Segundo o grupo, a maioria dos países proibiu o uso desse tipo de bomba por meio da Convenção sobre Munições de Cacho, que se tornou lei internacional obrigatória em 2010. A Líbia não é signatária, disse o HRW.
(Reportagem adicional de Mussab Al-Khairalla, em Trípoli)
Reuters