Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Forças de Al-Assad cortam linha de abastecimento dos rebeldes sírios

Quinta, 06 de Junho de 2013 às 10:52, por: CdB
siria6.jpg
Soldados do exército sírio comemoram a tomada de posição estratégica dos rebeldes
O Ministério da Defesa da Áustria, que tem 380 soldados da ONU desdobrados nas Colinas de Golã, informou nesta quinta-feira (06/06) que o exército sírio reconquistou a estratégica passagem de Quneitra, que separa Israel da Síria havia sido tomada pelos opositores nesta manhã de quinta-feira, horas após assegurar o domínio da região. – A situação (em Quneitra) volta a ser como era de manhã, quando estava sob controle das forças regulares da Síria – disse à agência espanhola de notícias Efe, em Viena, o porta-voz do ministério, Michael Bauer. O coronel austríaco assegurou que "já não há mais combates na zona" e confirmou que os soldados da ONU "voltaram a sair de seus bunkeres de segurança". Bauer disse ainda que falou com vários soldados austríacos em Golã, que confirmaram a reconquista de Quneitra por parte do regime. Os opositores tinham anunciado nesta manhã que tomaram o controle desta cidade, no sudoeste da Síria. No entanto, o porta-voz do Comando Supremo do Exército Livre Sírio, Qasem Saadedin, disse à Efe que os insurgentes ainda estão combatendo na zona com as forças do regime, que ainda tentam recuperar a cidade. A passagem de Quneitra é importante para manter o abastecimento das forças da ONU no Golã. A antiga capital da região síria do Golã passou para mãos israelenses em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Posteriormente, foi recuperada brevemente pelos sírios na guerra do Yom Kippur (1973), embora os israelenses terminaram o conflito novamente com a posse do território. Um ano depois, Israel abandonou a cidade, mas antes de sair a destruiu e a ONU desmilitarizou a zona próxima da fronteira entre os dois países. Oposição em crise As forças do regime sírio tomaram esta madrugada a cidade rebelde de Qusair com o auxílio do Hezbollah. O resultado da batalha compromete o esforço de guerra da oposição, que mergulha na sua pior crise desde o início dos conflitos, há dois anos. A cidade junto à fronteira com o Líbano era uma das principais portas de entrada de combatentes e de armamento para a rebelião contra o regime de Bashar al-Assad. Para Damasco, a conquista de Qusair garante ainda a manutenção de um corredor terrestre entre a capital síria e a costa mediterrânea predominantemente habitada por populações alauítas pró-Assad. A tomada de Qusair aconteceu às primeiras horas de quarta-feira quando combatentes do Hezbollah auxiliados pela artilharia e força área sírias provocaram a fuga em massa dos opositores do regime, pondo termo a uma batalha de quase um mês pelo controlo da localidade estratégica. A vitória foi celebrada não só em Damasco como nos bairros xiitas de Beirute e no Irão. Correspondentes internacionais afirmam que os desenvolvimentos desta quarta-feira poderão marcar uma inversão da correlação de forças no terreno, com o regime e o Hezbollah a apontarem já baterias para as cidades de Homs e Alepo. A guerra civil na Síria deflagrou em 2011 na sequência de um movimento de contestação ao regime ditatorial de Assad e terá vitimado mais de 80.000 pessoas. A comunidade internacional acusa os dois lados em conflito de crimes de guerra e de graves violações dos direitos humanos. Em nota, divulgada na manhã desta quinta-feira, o governo sírio afirmou que "o Exército árabe sírio controla completamente a região de Qusayr, na província de Homs, depois de ter matado um grande número de terroristas e de ter capturado outros. Nossas heróicas forças armadas levaram a segurança e a estabilidade em toda a cidade", informou o canal Al-Ikhbariya, a televisão oficial do governo sírio. Após o anúncio da vitória, o Irã "felicitou o povo sírio, o governo e o Exército para o sucesso das Forças Armadas na reconquista da cidade estratégica de Qusayr". Teerã também condenou o fornecimento de armas para os rebeldes realizado por "algumas partes", pedindo que aqueles que estão por trás do "massacre do povo sírio" sejam processados por crimes de guerra. A televisão al-Manar, controlada pelo Hezbollah, mostrou as imagens da tomada da cidade pelas forças do presidente Bashar al-Assad, entre as quais a imagem de um soldado que colocou a bandeira da Síria no topo da torre do relógio da praça principal. A emissora afirmou que um grande número de rebeldes fugiram em direção das localidades de Buayda e de Dbaa.
Tags:
Edições digital e impressa