Uma força-tarefa, formada pelas secretarias estaduais de Agricultura e de Saúde, pelo Ministério Público e pelo Procon, vai analisar o leite vendido no estado do Rio para saber se existem adulterações, como ocorreram recentemente em Minas Gerais. Serão investigadas as cooperativas e indústrias leiteiras fluminenses e também o produto vindo de outros estados para tranqüilizar o consumidor fluminense quanto à qualidade do leite que compra.
O secretário de Agricultura, Christino Áureo, acredita que em duas semanas, no máximo, a força-tarefa terá condições de analisar produtos de 50 cooperativas e indústrias que abastecem mercado fluminense.
— A maioria das cooperativas e indústrias leiteiras é idônea e não é justo deixar o produto sob suspeita por causa de meia dúzia de fraudadores que prejudica toda a cadeia —, justificou Áureo.
As suspeitas de irregularidades surgiram com a recente queda brusca do preço do leite e são anteriores à operação da Polícia Federal em Minas Gerais onde foi constatada a contaminação do produto com soda cáustica e água oxigenada, resultando na prisão de alguns dirigentes de cooperativas e produtores leiteiros.
— Por volta do dia 15, produtores e cooperativas nos procuraram suspeitando da concorrência de outros estados que vendiam o leite mais barato. Oitenta por cento do leite consumido por 1,3 milhão de consumidores fluminenses vêm de outros estados. Esta queda brusca era um indicativo de que havia alguma coisa errada. Então, entramos com uma notificação junto ao Ministério Público, uma semana antes da operação da Polícia Federal em Minas, e iniciamos a montagem da força-tarefa para verificar se havia irregularidades nesses produtos. As denúncias em Minas vieram apenas reforçar esses indícios —, explicou o secretário.
Áureo disse que o Ministério da Agricultura fiscaliza periodicamente as indústrias leiteiras do país. Quando o produto já está no mercado, a responsabilidade é da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que, em casos de suspeitas de irregularidade, recolhe amostras para análise.
— Ocorre que o fraudador também está se sofisticando. Portanto, é necessário unir os órgãos fiscalizadores e fazer com que essas diversas habilidades e conhecimentos funcionem conjuntamente em caráter permanente. Este é o objetivo da força-tarefa que montamos. O fraudador, além de ser um criminoso que atenta contra a saúde da população, também comete um crime contra milhares de pequenos produtores porque vai denegrir um produto nobre como o leite e forçar a liquidação e falência de muitas cooperativas e indústrias que sofrem com este tipo de concorrência —, assinalou.
Nos próximos dias, a força-tarefa irá coletar amostras de marcas de leite para análise. Ao verificar qualquer irregularidade, a cooperativa ou indústria responsável será notificada e o produto retirado do mercado.
Quem quiser fazer denúncias pode ligar para a Vigilância Sanitária estadual, cujo número é 2299-9730.