Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

<i>Força Policial</i> estreia em circuito nacional

Há dois tipos de lealdade que guiam os personagens de Força Policial: a familiar e a profissional. No terreno familiar, fica fácil de explicar - afinal, a história gira em torno de um clã de policiais de Nova York. Já no outro campo, a questão é mais complexa e obscura: afinal, nem todos estão jogando dentro da lei.(Leia Mais)

Sexta, 27 de Fevereiro de 2009 às 07:30, por: CdB

Há dois tipos de lealdade que guiam os personagens de Força Policial: a familiar e a profissional. No terreno familiar, fica fácil de explicar - afinal, a história gira em torno de um clã de policiais de Nova York. Já no outro campo, a questão é mais complexa e obscura: afinal, nem todos estão jogando dentro da lei.

O filme, que estreia em circuito nacional, traz Ray Tierney (Edward Norton) como um detetive afastado da ativa, resolvendo problemas pessoais. Poucos dias antes do Natal, porém, um grupo de policiais é assassinado numa aparente emboscada.

O detetive veterano Francis Tierney Sr. (Jon Voight) quer o seu filho na investigação, que também envolve o primogênito, Francis Tierney (Noah Emmerich, de Celular).

Ray enfrentará um dilema sério ao descobrir que o marido de sua irmã, Jimmy Eagan (Colin Farrell), pode estar envolvido com corrupção. E o personagem fica dividido entre defender o Departamento de Polícia ou a família.

Dirigido por Gavin O Connor (Tumbleweeds - Livre Para Amar) a partir de um roteiro dele e de Joe Carnahan, Força Policial sente o peso da poeira do tempo. Tivesse sido feito há algumas décadas ou se a trama fosse situada num passado mais distante, o filme talvez se sustentasse melhor. Diante de tudo o que o cinema norte-americano avançou no gênero nos últimos tempos - especialmente em obras como Os Infiltrados e Os Donos da Noite (com o qual este filme tem muita semelhança) -, o trabalho parece ultrapassado.

A quantidade de clichês nos quais Força Policial se apoia e a direção pouco inspirada de O Connor só servem para transformar o longa em remédio genérico, que mais parece um piloto de série de televisão. Nem bons atores, como Norton e Farrell, conseguem superar as limitações do roteiro.

Para não ficar apenas no filme policial padrão, o filme tenta delinear a vida familiar dos Tierney. Como a ação se situa na época de Natal, assiste-se a diversas cenas familiares e à agonia da mulher de Francis Jr, uma paciente com câncer terminal, vivida por Jennifer Ehle (Possessão).
Mas, no fundo, esses pequenos dramas pessoais não são bem amarrados com a questão central do filme. Eles deveriam adicionar novas camadas sobre os personagens e seus dilemas, mas acabam servindo apenas para esticar a história.

Depois de mais de duas horas de pancadaria, sangue e palavrões, o longa chega exatamente onde parecia apontar desde o início, com pouca criatividade e empolgação. O resultado, na tela, é um filme que não consegue dizer nada tão complexo como pretendia.

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