Um grupamento com mais 50 homens da Força Nacional vai reforçar a segurança na Terra Indígena Raposa Serra do Sol em Roraima. A informação é do ministro da Justiça, Tarso Genro, que falou aos jornalistas, pouco antes de retornar de Manaus para Brasília. O ministro chegou nesta segunda-feira à capital amazonense, junto com o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Nesta terça, ele esteve na reserva e participou de um sobrevôo na região para checar de perto a situação local.
Tarso garantiu que todas as medidas serão tomadas com apoio do governo federal para acabar com os conflitos na terra indígena. Dez índios foram baleados, na véspera, depois de ocupar parte de uma fazenda do líder dos arrozeiros e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero.
- Agora o conflito já tem outra qualidade. São pistoleiros marginais que foram contratados por alguém e atacaram índios desarmados. É caso grave de segurança pública e de desrespeito à lei - declarou o ministro.
Segundo Tarso, a Polícia Federal deve agir com tranqüilidade, apostando na estabilidade da região e no bom relacionamento, inclusive com os indiciados e com os fazendeiros. A PF, acrescentou, deve fazer tudo para esclarecer o caso e contará com o apoio da Força Nacional. O ministro reforçou ainda que um inquérito já foi aberto para apurar o caso.
- As armas utilizadas têm que estar registradas em algum lugar. Em breve os responsáveis serão apresentados e todos vão responder perante a Justiça - disse Tarso.
Prisão relaxada
Após desacatar os agentes da Polícia Federal, o líder dos arrozeiros, que ocupa irregularmente a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e prefeito do município de Pacaraima, em Roraima, Paulo César Quartiero foi preso e liberado, em seguida, mediante pagamento de fiança. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da PF em Brasília, que alegou ainda não ter conhecimento das circunstâncias da prisão porque os delegados responsáveis estão momentaneamente sem comunicação.
A reportagem tentou contato com os delegados e também com Quartiero por telefones celulares, que estavam de fato desligados ou fora da área de cobertura. A prisão aconteceu um dia após funcionários do arrozeiro terem baleado índios que construíam barracos na Fazenda Depósito, de sua propriedade (leia mais ao lado). Quartiero lidera o movimento de resistência à retirada de não-indígenas da reserva.
Até o fim do mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar ações pendentes que contestam o decreto de demarcação da reserva em área contínua e decidir se os produtores podem ou não permanecer no local. Recentemente, uma operação de retirada deles foi suspensa pelo Supremo.