Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Fonseca e Silveira, literatos pra valer

Quarta, 23 de Fevereiro de 2005 às 08:35, por: CdB

 Vestido com calça, camisa social e sandália, ao lado de uma senhora, o senhor de cabelos e barba grisalhos era mais um transeunte, com uma bolsinha de livros, numa manhã agitada no Centro do Rio. Incólume a pedidos de autógrafo, flashs de fotógrafos ou até à bajulação desnecessária de fãs que não são leitores, Rubem Fonseca era a alegria em pessoa na sua discrição.

Do time daqueles que evitam a imprensa - mas vítimas da fama restrita a um séqüito peculiar e intelectual - Fonseca faz de sua "reclusão" a grande arma para observar o ser humano em seu cotidiano e transformá-lo em personagem. 
 
Assim é desde sua estréia na literatura. E o resultado disso - ou pequena parte desse estereótipo literário - aparece nas bem traçadas linhas de 64 Contos de Rubem Fonseca (R$ 43,50 - 800 pág. - Cia das Letras). O autor de clássicos contemporâneos como Agosto e Bufo & Spallanzani esmiúça o universo cru, metódico, erótico e violento da metrópole. Uma aula de narração e criatividade, somadas ao talento de um escritor que tem a literatura como co-irmã e faz do trabalho um modo de se comunicar com este mundo que mostra - embora se distancie dele fisicamente.
 
Outro deste time, Joel Silveira, avesso a entrevistas e a holofotes, se diferencia na polêmica. Quando fala, sua alma de jornalista não poupa palavras elogiosas ou críticas. Candidato à ABL, disse que não gostava da literatura de Jorge Amado e causou polêmica. Mas o jornalista que viveu 60 anos da História Política tem know-how para opinar sobre o que quiser - e o faz bem. Em A feijoada que derrubou o governo (R$ 37,00 - 216 pág. - Cia das Letras), Silveira mostra o bastidor dos bastidores, e exalta figuras anônimas dos meandros do poder que, embora não ilustres, foram fundamentais em certas ocasiões de repercussão. Assim como a redação final de Silveira.

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