Por mais que divirjamos - e divirjo dela diariamente, em muitas ocasiões mais de uma vez por dia - eu não poderia deixar de cumprimentar a Folha de S.Paulo que está completando 90 anos. São nove décadas que se misturam e se confundem com a História do nosso país, seus altos e baixos, momentos de grandeza e incoerências, de episódios e comportamentos em algumas ocasiões até incompreensíveis. Ela e o Brasil.
Ao cumprimentá-la faço-o com o maior prazer e um sentimento de reconhecimento, de que o jornal soube tornar-se um dos grandes entre nós. Adquiriu enorme peso em todas as áreas da vida nacional e, no cômputo geral, e em que pese nossas idiossincrasias - nós as temos, eu e o jornal - tornou-se indispensável a todo começo de dia. Impossível se iniciar o trabalho diário sem ler a Folha de S.Paulo.
Se apoiou o golpe militar de 64 e um lado da ditadura - seu desempenho econômico durante uma fase, momentos históricos que, de resto, toda a grande mídia apoiou - o jornal, de certa forma se redimiu ao engajar-se na Campanha das Diretas Já.
Cito um dos vários episódios que a engrandecem. Ali, na Diretas, esteve ao lado e foi como nenhum outro um dos sustentáculos daquela campanha para a volta das eleições diretas para Presidente da República, um grande marco, se não o principal, para a derrocada do regime militar e a redemocratização do país.
Assim, com nossas divergências e uma diferença de pontos de vista que sei, em muitas questões, é permanentemente inconciliável, ao transmitir meus cumprimentos a Folha de S.Paulo, faço-o também com os meus votos de mais outros 90 e muitos anos mais para o jornal.