Rio de Janeiro, 15 de Fevereiro de 2026

<i>Foie gras</i>, afinal, é isso tudo ou tem mais?

Diante da polêmica gerada pela última coluna aqui veiculada, essa semana, excepcionalmente, peço licença aos meus leitores para discorrer ainda sobre o tema Foie gras, . (Leia Mais(

Segunda, 03 de Setembro de 2007 às 13:36, por: CdB

Diante da polêmica gerada pela última coluna aqui veiculada, essa semana, excepcionalmente, peço licença aos meus leitores para discorrer ainda sobre o tema foie gras. Peço licença, pois, não obstante os milhares de e-mails recebidos de repúdio ao tema da coluna, menos de 5% abordaram a questão de forma séria e construtiva, sendo os demais comentários simples ofensas pessoais ao colunista que vos escreve. Por isso, e em atenção a esses menos de 5% é que, novamente, irei tratar do assunto foie gras, pois acredito que o debate será salutar e edificante.
 
Em primeiro lugar, é necessário colocar a questão nos seguintes termos: 18 dos 20 melhores restaurantes do eixo Rio São Paulo servem pelo menos dois pratos de foie gras; as revistas especializadas em gastronomia trazem, periodicamente, receitas de fígado de pato ou de ganso; nos principais livros de gastronomias, à venda no mercado, estão incluídas receitas de foie gras; é inconteste que o foie gras é apreciado pelo homem desde o Egito e que é uma iguaria.
 
E, por isso, escrevi a coluna semana passada, com o único intuito de dilucidar os meus leitores acerca de comum confusão que se faz entre foie gras e patê. Essa foi a tônica do começo ao fim.
 
Mas, como disse, apesar de serem muito poucos, recebi e-mails que apontaram para um lado da moeda que merece ser debatido. E, dessa forma, fica aberta uma parte da próxima coluna para que seja publicada uma carta em defesa a proibição da comercialização do foie gras.
 
Acredito que será a primeira vez que se dará espaço, numa coluna especializada, para se debater o tema abertamente. E isso se deve ao Correio do Brasil, que é um jornal independente e não tem amarras com ninguém.
 
Contudo, não podemos menosprezar os nossos leitores. A questão “foie gras”, deve ser tratada levando-se em conta a realidade em que vivemos, fazendo uma abordagem paralela das condições dos animais para abate em geral. Como sabido, é praxe a hiperalimentação, a aplicação de vacinas e hormônios, o confinamento em pequenos espaços. Temos, ainda, a criação de camarões e peixes em cativeiro, o consumo de ova de peixe, ostra crua etc.
 
Fica, também, no ar um questionamento feito por um assíduo leitor: Seria também o “melhoramento genético” nas plantas e animais uma forma cruel e desumana de tratar esses seres vivos?
 
Como se vê, a questão do foie gras é parte ínfima de uma grande teia, muitas vezes cruel e desumana, que, à primeira vista, se afigura necessária à sobrevivência da espécie humana. O que causa surpresa a mim é que, ainda, nos dias de hoje, exista uma parcela tão alta de pessoas que, diante de temas importantes, continuam se valendo de discursos agressivos, panfletários e pueris, discursos esses que, longe de auxiliar qualquer causa, desacreditam, na realidade, toda a sua argumentação. 
 
Aproveito o ensejo para fazer um alerta: o magret e cuisse canard são as denominações dadas ao peito e coxas, respectivamente, quando retirados desses mesmos patos criados para fazer o foie gras.
 
No aguardo de correspondências eletrônicas sérias e que, por óbvio, sirvam para engrandecer o tema.

Flavio Vitari é chefe-de-cozinha e colunista do Correio do Brasil, sempre às segundas-feiras.

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