Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Foi Severino

Por Frei Pilato Pereira - Foi embora de Brasília o Severino Cavalcanti que voltou pra sua terra se dizendo pobre e, de tão pobre, prometendo retornar ao Congresso. Severino deixou marcas e saudades - não há quem não deixe saudades. E será, por vezes lembrado e por vezes esquecido. Mas na nossa lembrança estará o dia em que o Brasil foi traído, quando "300 picaretas" elegeram Severino, presidente da Câmara dos Deputados. (Leia Mais)

Sexta, 23 de Setembro de 2005 às 19:28, por: CdB

Foi embora de Brasília o Severino Cavalcanti que voltou pra sua terra se dizendo pobre e, de tão pobre, prometendo retornar ao Congresso. Severino deixou marcas e saudades - não há quem não deixe saudades. E será, por vezes lembrado e por vezes esquecido. Mas na nossa lembrança estará o dia em que o Brasil foi traído, quando "300 picaretas" elegeram Severino, presidente da Câmara dos Deputados. Não esqueceremos também o dia em que foram movidos pela vergonha do que haviam feito e tentaram desfazer o fiasco, colocando o Severino pra fora de Casa.

Severino, pode-se dizer que é igual a severo. E o tempo de Severino foi severo demais, foi áspero, difícil, quase insuportável. Foi um grande desgosto nacional ver o Severino presidindo a Câmara dos Deputados. Presenciamos o que há de pior no Congresso. A história do suposto mensalão e todas as denuncias de Jefferson e o Severino exigindo cargos do governo e a té se imaginando presidente do Brasil. A mídia dava por morta nossa esperança no governo Lula. Era como se tudo tivesse desabado e, em forma de cinzas, parecia se perder décadas de luta de sonhos. Tudo isso poderia ter entrado na nossa história como um simples pesadelo coletivo, mas foi uma triste realidade e ainda não é a pior parte da vida brasileira. Coisas piores já aconteceram em outros tempos, o que não vem ao caso de rememorar. Só quero dizer que esses meses de Severino foram mesmo cruciais, foi uma verdadeira Via Crucis que o Brasil viveu.

O tempo de Severino foi mesmo muito severo, mas foi, foi embora o Severino e, tomara que tenha ido também o azar. Que a sua renúncia tenha sido o último capítulo de uma história cinzenta e amarga. Talvez tenhamos outros difíceis passos a percorrer, mas seguiremos com a nossa esperança. Seguiremos sem ilusão, mas também sem medo e com uma carga de aprendizados que obtivemos em meio a crise.

Frei Pilato Pereira é articulista do Correio do Brasil

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