Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

"Fogo amigo" e Embratel derrubam Bolsa

Os ataques do presidente do PL e aliado do governo, deputado Valdemar Costa Neto, ao ministro da Fazenda Antonio Palocci mexeram com o mercado. Costa Neto disse, em evento no Planalto, que Palocci "não entende de economia" e que devia deixar o cargo. Além disso, a venda da Embratel e o medo de novos ataques terroristas na Europa influenciaram diretamente nos índices da Bovespa, que fechou com queda de 2,49%. (Leia Mais)

Segunda, 15 de Março de 2004 às 16:00, por: CdB

Os ataques do presidente do PL e aliado do governo, deputado Valdemar Costa Neto, ao ministro da Fazenda Antonia Palocci mexeram com o mercado. Costa Neto disse, em evento no Planalto nesta segunda, que Palocci "não entende de economia" e que devia deixar o cargo. Além disso, a venda da Embratel e o medo de novos ataques terroristas na Europa influenciaram diretamente nos índices da Bovespa, que fechou com queda de 2,49%.   

O principal índice da Bovespa fechou em queda de 2,49%, aos 21.233 pontos, pressionado pelo medo de novos ataques terroristas, pelo "fogo amigo" no governo Lula e pelo tombo de 25,4% das ações ordinárias da Embratel, que foi vendida hoje para a mexicana Telmex. O Ibovespa já acumula queda de 2,3% no mês e de 4,5% no ano.

O volume financeiro foi fraco e somou R$ 1,038 milhão. Nesse valor está incluído os R$ 121,7 milhões referentes ao exercício de opções sobre ações, que teve o menor giro do ano. A espera pela decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o juro básico da economia, a ser anunciada na próxima quarta-feira, contribuiu para a redução do volume de negócios.

A expectativa dominante ainda é de uma manutenção da taxa - a terceira consecutiva - em 16,5% ao ano, mas alguns analistas vislumbram um pequeno espaço para um corte simbólico de 0,25 ponto percentual, como prevê a corretora americana Merrill Lynch.

Embratel

As ações da Embratel seguiram rumos distintos na Bovespa após o anúncio da venda para a mexicana Telmex, um negócio de US$ 360 milhões. Enquanto o papel PN liderou ganhos com alta de 7,2%, cotado a R$ 8,69, a ação ON desabou 25,4%, vendida a R$ 11,90, devolvendo parte dos ganhos acumulados na véspera do anúncio do negócio.

O valor do negócio foi considerado baixo pelos acionistas minoritários. O fato de que não haverá recompra de ações pela Telmex também contribuiu para o tombo dos papéis ON.

A Telmex era apontada pelos analistas como favorita na disputa. Na opinião dos analistas, a empresa mexicana, dona da operadora de telefonia celular Claro, poderá realizar investimentos elevados na Embratel. Mas há ainda riscos na operação: consórcio formado pela Geodex e pelas três operadoras de telefonia fixa (Telemar, Telefônica e Brasil Telecom) vai acionar a Justiça dos EUA contra a venda.

Terrorismo

Já as investigações sobre a autoria do atentado na Espanha, que matou 200 pessoas em explosão de trens na última quinta-feira em Madri, apontam para a participação da rede terrorista Al Qaeda, de Osama Bin Laden, no massacre.

No caso de um aumento da aversão ao risco pelos investidores estrangeiros, os ativos de mercados emergentes, como o Brasil, tendem a se depreciar, provocando uma fuga de capital desses países.

Política

As disputas no governo que geram o "fogo amigo" contra a política econômica do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) também voltaram a perturbar o mercado. Hoje o presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), pediu a saída de Palocci e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O PL é o partido do vice-presidente José Alencar.

A reação veio nas palavras do vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), que chamou de "inoportuna e oportunista" a declaração do presidente do PL e o comparou à personagem Darlene, da novela "Celebridade", da Rede Globo, que faz tudo para aparecer na mídia.

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