O número de focos de incêndios acumulado entre os dias 1° de janeiro e 16 de agosto aumentou 100% em relação ao mesmo período de 2009. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) até esta terça-feira registrava 30.825 focos de incêndios em todo o Brasil, o dobro de 2009, quando foram registrados 15.228 focos. A multiplicação dos focos de incêndio no Brasil na comparação com o ano passado opôs especialistas e autoridades sobre uma suposta falha no trabalho de fiscalização. O aumento no número de queimadas levou o governo de Rondônia a decretar situação de emergência Representantes dos bombeiros, das Forças Armadas e do Ibama montaram uma força tarefa para coordenar as ações de combate aos focos de incêndios. As queimadas também atingem regiões de Mato Grosso. A maior incidência, segundo a Defesa Civil, é nos assentamentos e áreas rurais. No Tocantins, 20 homens do Ibama de Brasília ajudam a combater o fogo no Parque Estadual do Lajeado há quase uma semana. Por causa da quantidade de focos, órgãos de proteção ambiental descartaram a possibilidade de combustão natural no local. Segundo os bombeiros, o fogo começou em uma área às margens de uma rodovia estadual, que faz divisa com a reserva e foi criminoso. O meteorologista Alberto Setzer, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirmou que a combinação de tempo seco, calor e baixa umidade agravam o problema. Segundo ele, as queimadas são criminosas e falta fiscalização. De acordo com Setzer, 2010 está sendo um ano muito mais seco do que 2009, com temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e sem chuvas, o que facilita o uso e a propagação do fogo. – Em 2009, essa região do Brasil Central chegou a ter 10 milímetros de chuva em agosto. Este ano, até agora, não caiu uma gota d'água. Em partes de Minas Gerais e Goiás e no Tocantins não chove há mais de três meses –, comparou. Além da questão climática, Setzer disse que o aumento expressivo dos focos de queimadas de um ano para o outro também se deve á dinâmica do setor agropecuário e ao período eleitoral. Na avaliação do pesquisador, o momento econômico favorável à expansão dos rebanhos e das áreas agrícolas leva ao aumento do uso de fogo pelos produtores rurais, para abrir pastagem e limpar a terra para o cultivo. Com a estiagem e a vegetação seca, o risco de perder o controle da queimada é quase inevitável. Já o período eleitoral influencia na fiscalização. – Por ser ano eleitoral, a fiscalização não está tão intensa quanto poderia estar –, ponderou Setzer. A indefinição sobre o futuro da legislação ambiental brasileira – com a possibilidade de mudanças no Código Florestal – também pode estar estimulando, segundo ele, crimes ambientais, inclusive as queimadas. – Nenhuma dessas queimadas é natural. Sempre começam porque alguém fez o que não devia, agindo contra as leis florestais. Não são incêndios naturais, o clima seco ajuda a expandir, mas alguém começou o fogo –, explicou o pesquisador. As chamadas queimadas naturais, segundo Setzer, só acontecem no período de chuvas, porque são provocadas por raios. E não têm o mesmo efeito devastador que os incêndios provocados. – Esse fogo natural ocorre a cada cinco ou dez anos. As queimadas propositais às vezes são feitas mais de uma vez por ano. Não há ecossistema ou vegetação que suporte. O aumento expressivo do número de focos de queimadas em 2010 ainda não deverá ter reflexos na taxa anual de desmatamento, calculada pelo Inpe e com previsão de divulgação até novembro. Isso porque a taxa considera apenas o chamado corte raso, desmate total de uma área, o que o fogo não faz sozinho. – O fogo danifica muito a floresta, há uma degradação intensa, o que facilita o processo de desmate –, explica Setzer. – Todas as áreas afetadas pelo fogo em pouco tempo deixam de ser floresta e viram outra coisa –, acrescenta. Pelo menos para os próximos dias, a previsão é que as condições climáticas continuem favoráveis às queimadas, com a combinação de estiagem, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Emm todo o Brasil, o Inpe registrou 13,5 mil focos de incêndios.
Focos de queimadas aumentaram 100% em relação a 2009
O número de focos de incêndios acumulado entre os dias 1° de janeiro e 16 de agosto aumentou 100% em relação ao mesmo período de 2009. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) até esta terça-feira registrava 30.825 focos de incêndios em todo o Brasil, o dobro de 2009, quando foram registrados 15.228 focos.
Quarta, 18 de Agosto de 2010 às 08:16, por: CdB