Após o encerramento da moratória histórica, o Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou à carga contra a Argentina. Neste domingo, o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, reúne-se em Washington com o diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato. Segundo o jornal Clarín, o FMI vai pressionar a Argentina a reabrir a oferta de troca de títulos.
No domingo, o FMI vai pedir que a Argentina dê novo prazo para adesão os 24% de credores que não aceitaram a oferta inicial do governo para a troca da dívida e que detêm cerca de US$ 20 bilhões em títulos do país.
A Argentina já sabe que essa exigência será apresentada e não está disposta a aceitá-la. Segundo o Clarín, no entanto, o FMI só deve reconhecer o sucesso do plano de troca encerrado na semana passada caso a Argentina volte atrás e reabra a proposta. Para o Fundo, essa seria um prova de "boa-fé" que a Argentina deve ao mercado internacional.
Rato também pressionará Lavagna a fechar um novo acordo com o FMI e com o Clube de Paris, organismos que representam os países credores da Argentina.
Para ter maior prazo para pagar dívidas, entretanto, a Argentina terá que negociar pontos delicados, como o reajuste das tarifas de empresas de serviços públicos privatizadas e o aumento do superávit primário, atualmente em 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.
Se o FMI deve ser duro com a Argentina, o Clarín também informa que Kirchner orientou Lavagna na última quarta-feira a também não ceder facilmente aos pressões do organismo.
Como a Argentina tem dinheiro para arcar com pagamentos de dívida que terão de ser feitos a organismos internacionais neste mês e no próximo, Kirchner acredita ter tempo para arrastar as negociações até conseguir rechaçar cada uma das exigências feitas pelo FMI.