FMI prevê crescimento fraco, em nível global, para este ano
Na última atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI disse que a queda no crescimento dos EUA para 2016 por causa de um desempenho fraco no primeiro semestre será compensada pelo fortalecimento de Japão, Alemanha, Rússia, Índia e alguns outros mercados emergentes
Na última atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI disse que a queda no crescimento dos EUA para 2016 por causa de um desempenho fraco no primeiro semestre será compensada pelo fortalecimento de Japão, Alemanha, Rússia, Índia e alguns outros mercados emergentes
Por Redação, com agências internacionais - de Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve a previsão de crescimento global fraco, nesta terça-feira. Alertou, também, que a estagnação vai alimentar mais sentimento populista contra o comércio e a imigração. A reação tende a sufocar a atividade, a produtividade e a inovação.
O FMI disse que a queda no crescimento dos EUA para 2016 por causa de um desempenho fraco no primeiro semestre será compensada. Aponta o fortalecimento de Japão, Alemanha, Rússia, Índia e alguns outros mercados emergentes. O FMI manteve sua estimativa de crescimento global para 2016 em 3,1% e para 2017 em 3,4%. Isso, depois de cortar as projeções por cinco trimestres seguidos. Os dados estão na última atualização do relatório Perspectiva Econômica Global.
Declínio nos EUA
Christine Lagarde preside o Fundo Monetário Internacional (FMI)
O FMI disse que as economias avançadas como um todo vão ver um enfraquecimento do crescimento em 2016. Prevê uma queda de 0,2 ponto percentual ante julho, para 1,6%. Os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento vão ver um ganho de 0,1 ponto percentual no crescimento, para 4,2%.
Sua previsão de 2017 para os dois grupos não foi alterada, com as economias avançadas devendo crescer 1,8%. Os mercados emergentes 4,6%.
Os EUA são responsáveis por grande parte do declínio nas economias avançadas. Reduziu sua previsão de crescimento para 1,6%, ante 2,2% em julho, devido a um desempenho decepcionante no primeiro semestre. A causa teria sido o fraco investimento empresarial e uma redução dos estoques de bens.
As pressões do dólar mais forte e dos preços mais baixos da energia devem desaparecer no próximo ano. O Fundo também defendeu uma abordagem gradual para a elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve. A ação deve ser "conectada a sinais claros de que salários e preços estão se firmando de forma duradoura”.
As previsões de crescimento para a China mantiveram-se inalteradas em 6,6% para 2016 e 6,2% para 2017, com o apoio da política forte e do crescimento do crédito alimentando o consumo doméstico.
Brasil em cena
O FMI também deixou inalteradas as estimativas para a atividade econômica do Brasil neste ano e no próximo. Destacou no relatório que o país parece próximo de virar o jogo, conforme perdem força os efeitos de choques passados.
"A economia do Brasil permanece em recessão, mas a atividade parece estar perto de seu ponto de inflexão conforme os efeitos de choques passados diminuem", explicou o FMI. No relatório, referiu-se à queda nos preços das commodities, ajustes dos preços administrados de 2015 e incertezas políticas.
Ainda assim, o cenário para o Brasil é bem fraco quando se considera o quadro geral de América Latina e Caribe. A região projeta uma contração de 0,6% este ano e expansão de 1,6% no próximo.
América do Sul
Na América do Sul, a retração esperada para o Brasil este ano só não é pior do que o recuo de 10% projetado pelo FMI para a Venezuela. Em 2017, além da Venezuela, o Equador também deve registrar queda da atividade, nas contas do fundo — 4,5 e 2,7%, respectivamente.
A América do Sul como um todo deve ter retração do PIB de 2% em 2016, mas deve registrar um aumento de 1,1% no ano que vem. O FMI destacou que existe no Brasil uma necessidade abrangente de melhorar a confiança e elevar os investimentos — dois pontos que vêm sendo fortemente destacados pelo governo como essenciais — por meio do fortalecimento das estruturas de política econômica.
"Adotar a proposta de regra de gastos e apresentar uma estrutura de consolidação fiscal coerente de médio prazo enviará um forte sinal de compromisso", destacou o FMI.
O resultado do PIB em 2016 esperado pelo FMI para o Brasil está próximo da visão de economistas na pesquisa Focus do Banco Central. Os economistas veem contração de 3,14%. Para 2017, entretanto, o levantamento do BC aponta expectativa de expansão de 1,30%.
Ainda no relatório, o FMI calculou que a inflação ao consumidor brasileira fechará este ano a 9,0%, desacelerando em 2017 a 5,4%. Para o desemprego a expectativa é de 11,2 e 11,5% respectivamente.
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