O Fundo Monetário Internacional (FMI), em comunicado divulgado nesta quarta-feira, alertou para o fato de que os juros norte-americanos poderão observar por um "ajuste abrupto". A medida tende a afetar fortemente os mercados emergentes no mundo todo.
A sustentabilidade do déficit em conta corrente dos EUA, de acordo com o FMI, na faixa de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) depende hoje "do apetite de investidores privados e públicos" por ativos americanos.
"O risco de queda nessa demanda poderá causar ajustes abruptos nas taxas de juros", diz o comunicado.
A permanecer esta tendência, os EUA teriam de elevar os juros de forma rápida para cima com o único objetivo de atrair o dinheiro dos investidores que, hoje, financiam o elevado déficit do país. Este risco aumenta na medida em que os demais países desenvolvidos não possam manter um ritmo de crescimento sustentável ao longo dos próximos meses.
Ainda segundo o FMI, os EUA estão "liderando e estimulando" o crescimento global neste momento, "mas que o país deve agora abandonar todos os estímulos fiscais como os juros baixos e gastos elevados para recompor suas contas", comentou um analista para o Correio do Brasil.
O Fundo garante que a iniciativa privada já está de posse do controle econômico do país, após o baque de 11/9, com maiores chances de ampliar seus investimentos e gerar empregos através da exportação. Para o Fundo, no entanto, a economia norte-americana depende da "sustentabilidade fiscal, o que se traduz no principal desafio".
Para o FMI, a meta de redução do déficit norte-americano, prevista para depois de 2006 "parece modesta". As dúvidas dos economistas do Fundo quanto a estas metas, incluindo a capacidade de os EUA se financiarem, é a possível fuga de capitais do país, o que obrigaria banco central do país, o Fed ao "aumento abrupto" dos juros.