O Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou processo de expulsão do Zimbábue de seu quadro de membros. O isolamento do país africano se amplia com a decisão de ontem do Commonwealth, a comunidade britânica, de manter a suspensão imposta pela entidade no ano passado.
-O FMI sente que as autoridades do [Zimbábue] não tenham adotado políticas abrangentes para lidar com os sérios problemas econômicos do país- disse o órgão.
Segundo o Fundo, o Zimbábue não cumpre com suas obrigações desde 2001, e acumula uma dívida de US$ 273 milhões. Até hoje, só a Iugoslávia foi expulsa do FMI, em 92, sendo readmitida em 2000
O FMI já havia rebaixado de forma significativa o país nos últimos dois anos, tendo retirado a maior parte da ajuda financeira e técnica e suspendido seu direito de voto.
A expulsão levará ainda alguns meses para ser concretizada, dada os trâmites do processos. Mas enfatiza o isolamento cada vez maior do país no cenário mundial. No início deste ano, o Zimbábue foi suspenso também do Commonwealth, devido a alegações de que o presidente Robert Mugabe teria fraudado sua reeleição.
Chega também em um momento crítico do país, de colapso de sua economia. Dados do FMI mostram que a economia do Zimbábue contraiu 40% nos últimos quatro anos, enquanto a inflação cresceu para uma taxa anual estratosférica de 526% em outubro desde ano.
Cerca de dois terços da população passa fome. O país registra também uma das maiores incidências de aids/HIV no mundo. O desemprego está na casa de 70%. Há escassez aguda de moeda estrangeira e moeda circulante.
Para a oposição, a crise é resultado das políticas controversas e da má gestão de Mugabe, 79, que está no poder há 23 anos.
Destacam-se a desapropriação de milhares de fazendas pertencentes a brancos para o assentamento de negros sem-terra, a partir de 2000. Isso prejudicou a agricultura e fez despencar a produção de tabaco, principal produto de exportação.
FMI inicia o processo de expulsão do Zimbábue
Segunda, 08 de Dezembro de 2003 às 09:48, por: CdB