O Fundo Monetário Internacional (FMI) incluirá o Brasil em seus projetos-piloto de excluir os investimentos públicos em infra-estrutura dos cálculos do superávit primário, disse no último domingo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
O superávit primário é a receita maior que a despesa do governo, antes do pagamento dos juros da dívida. Se o investimento público é retirado do cálculo de despesa, significa que o governo tem de fazer um aperto fiscal menor.
- Acertamos hoje com a direção do FMI que o Brasil será um dos países que farão projetos-piloto nessas áreas, começando imediatamente - disse a jornalistas Palocci, após uma reunião com a diretora-gerente interina do Fundo, Anne Krueger.
O programa começará a ser montado na primeira semana de maio, quando uma missão do FMI chegará ao Brasil para fazer a segunda revisão do atual programa econômico. O piloto não significa que os valores referentes a tais despesas sejam excluídos da prestação de contas do Brasil com o FMI este ano.
O objetivo dessa experiência é, no final de um determinado período, comparar as cifras do orçamento real com as do projeto-piloto.
No sábado, o economista-chefe do Banco Mundial, Guillermo Perry, havia adiantado que o FMI e o Banco Mundial estavam considerando 'alguns projetos-piloto' para testar a viabilidade do novo mecanismo, entre os quais, segundo Palocci, serão incluídos projetos debatidos entre o organismo e o Brasil.
Brasil, Argentina e outros países latino-americanos pedem que o FMI permita excluir do cálculo da meta de superávit primário acertada com o Fundo os investimento públicos em infra-estrutura, uma área com enormes carências na região.
O representante do Brasil na diretoria do FMI, Murilo Portugal, disse não saber quais outros países poderão ser incluídos nesses estudos.
Palocci informou que equipes do Ministério da Fazenda e do Fundo desenvolverão o trabalho, na forma piloto.
- Os projetos-piloto ... não são projetos (em si), são estudos que vãoo demonstrar a viabilidade da aplicação dessas regras.
Krueger disse na última semana que as negociações entre o FMI e os países que querem flexibilizar o cálculo do superávit primário para permitir mais investimentos avançaram, mas advertiu que ainda falta um consenso internacional sobre o assunto.
O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, disse que a iniciativa sofre resistências por parte de representantes europeus do Fundo.
No último sábado, o FMI divulgou um estudo de seu Departamento de Assuntos Fiscais no qual condicionava a aceitação da proposta ao fato de os países assegurarem a viabilidade comercial dos projetos.
Segundo Portugal, os projetos-piloto que serão elaborados têm como objetivo 'buscar ver como serão operacionalizadas essas idéias'.
- A idéia (da proposta) é aumentar a qualidade do ajuste fiscal, fazendo com que se preservem fundamentalmente os investimentos, especialmente os investimentos em infra-estrutura. Isso tem um impacto positivo na taxa de crescimento potencial e tem impacto positivo na sustentabilidade da dívida pública - acrescentou.
Palocci observou também que a inclusão do Brasil nos projetos-piloto 'não tem um efeito imediato sobre a contabilidade do superávit'.
Uma fonte do organismo disse que os projetos-piloto ou os planos para estimular o investimento público não devem ser vistos 'como uma via rápida para se gastar dinheiro'.
FMI inclui Brasil em projeto piloto sobre investimento público
Domingo, 25 de Abril de 2004 às 23:09, por: CdB