Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

FMI, em relatório, alerta para o risco generalizado de recessão

Em sua pior previsão em anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta quarta-feira que a economia mundial está em uma grande desaceleração, com os Estados Unidos e a Europa já em recessão ou próximos dela. (Leia Mais)

Quarta, 08 de Outubro de 2008 às 09:58, por: CdB

Em sua pior previsão em anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta quarta-feira que a economia mundial está em uma grande desaceleração, com os Estados Unidos e a Europa já em recessão ou próximos dela.

"A economia mundial está agora entrando em uma forte desaceleração diante do mais perigoso choque dos mercados financeiros maduros desde a década de 1930", disse o FMI em seu relatório Perspectivas Econômicas Mundiais. O Fundo alerta, ainda, que políticas econômicas e regulatórias negligentes provavelmente permitiram que a economia global "excedesse seu limite de velocidade". Além disso, falhas nos mercados e de políticas permitiram que o estresse se aprofundasse. Agora, a economia paga o preço.

O FMI reduziu sua previsão para o crescimento econômico mundial em 2009 para 3% – o menor nível em sete anos –, ante a estimativa de 3,9% feita em julho e alertou que a recuperação será atipicamente lenta. Neste ano, o crescimento deve ser de 3,9%, abaixo do prognóstico anterior de 4,1%.

Crise de crédito

A intensificação da crise do crédito ameça engolfar empresas saudáveis e países emergentes que até recentemente blindavam a economia global, continuou o Fundo, em seu relatório. Segundo a instituição, a economia mundial estava entrando em uma grande crise "diante do choque mais perigoso em mercados financeiros maduros desde os anos 1930", e advertiu que a recente turbulência aumentou os riscos econômicos consideravelmente.

Desde o início da crise de crédito em meados de 2007, economias emergentes e empresas fora do abalado mercado financeiro se mostravam resistentes. Entretanto, o último aumento da aversão ao risco elevou ainda mais os custos de empréstimos, e aqueles dois grupos começaram a sofrer. "Um aspecto preocupante desta última onda de turbulências é que agora existem sinais crescentes de que pressões do mercado estão começando a pesar mais fortemente em empresas que não são do setor financeiro e em mercados emergentes", escreveram os técnicos do FMI.

"Se sustentadas, tais pressões podem prenunciar um impacto macroeconômico mais severo da crise financeira do que anteriormente previsto."

Empresas não financeiras tinham balanços fortes no começo da crise, algo que autoridades dos Estados Unidos geralmente citavam como umo sinal de que a economia em geral poderia resistir ao tranco de Wall Street. Mas nas últimas semanas, o acesso a empréstimos de curto prazo ficou mais restrito e o preço de ações caiu fortemente. Nas economias emergentes, que tinham pouca exposição aos ativos ruins que pesaram sobre o balanço de bancos na maioria dos países ricos, também ocorre um aumento nos custos de empréstimos porque a recente volatilidade criou um forte clima de aversão ao risco.

O FMI informou que as condições do mercadoo permanecem "exepcionalmente voláteis" e que é difícil prever por quanto tempo essas fraturas irão persistir. Quanto mais a situação perdurar, maior o risco de um abalo macroeconômico mais amplo.

"Isso, junto com desalavancagem intensificada e mais ampla, irá atrasar a recuperação e o aumento da possibilidade de uma recessão global", informou o Fundo.

EUA menores

A economia dos Estados Unidos vai encolher no último trimestre de 2008 e nos primeiros três meses de 2009 diante da crise de crédito, queda nos preços de residências e consumo menor, acrescentou o Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório divulgado pela manhã. A previsão do Fundo é de que o crescimento da economia dos EUA vai cair para 1,6% em 2008 ante 2% em 2007. O documento foi escrito antes da ação coordenada de bancos centrais desta quarta-feira, que cortou juros em um esforço de acalmar o pânico dos mercados financeiros ao redor do mundo.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA vai desacelerar para 0,1% em 2009.

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