O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e o diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominque Strauss-Kahn, defenderam a adoção de medidas urgentes para conter a atual inflação de alimentos.
-Temos agora que colocar nosso dinheiro onde está a nossa boca, para que possamos colocar comida em bocas famintas - disse Zoellick, usando uma expressão idiomática da língua inglesa que significa algo como não ficar apenas no discurso, mas tomar uma ação.
Os comentários dos dois líderes foram feitos na entrevista coletiva que marcou o encerramento da reunião de primavera do FMI e do Bird, em Washington, neste domingo.
De acordo com Zoellick, o fato de o preço de alimentos ter dobrado nos últimos três anos poderá fazer com que 100 milhões de pessoas em países de baixa renda mergulhem ainda mais na pobreza.
Desde meados de 2007, os preços dos alimentos aumentaram em média 40% e o de matérias-primas básicas, como o trigo, duplicaram. Com isso, em uma série de países têm se registrado violentos protestos decorrentes da dificuldade de encontrar produtos disponíveis.
O presidente do Banco Mundial lembrou que o Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu que até o início de maio sejam feitas contribuições para que o órgão possa sanar seu rombo de US$ 500 milhões.
- Já há indicações de contribuições que chegam quase à metade da cifra exigida, mas não é o bastante. É crucial que governos confirmem seus compromissos o quanto antes e que outros também comecem a fazê-lo.
Instabilidade
O líder do Bird saudou o fato de que o elevado preço das commodities e seu impacto no crescimento e no desevolvimento será um dos temas da reunião dos ministros das Finanças do G8, que será realizada em junho, no Japão.
- Mas, falando honestamente, a reunião do G8 será em junho. E não podemos esperar tanto assim.
Tanto Zoellick como Strauss-Kanh destacaram que a inflação poderá causar graves instabilidade políticas. No sábado, o diretor do fundo chegou a afirmar que a crise alimentar poderá levar a guerras em diferentes países.
- Ontem mesmo, nós vimos a queda do governo do Haiti - lembrou, Zoellick, comentando a queda do primeiro-ministro haitiano, Jacques Edouard Alexis, que perdeu seu cargo após uma série de protestos violentos contra a alta do preço de alimentos no país.
Zoellick destacou que o Bird destinou US$ 10 milhões ao Haiti e lembrou que o governo brasileiro também fez uma contribuição ao país caribenho. O presidente do Banco Mundial lembrou, no entanto, que a contribuição emergencial do Bird exigirá uma ''ginástica'' para contornar trâmites burocráticos atualmente exigidos já que ''muito do nosso dinheiro está alocado mediante determinadas fórmulas e categorias''.
Biocombustível
O biocombustível, a menina dos olhos do governo Lula, vem sendo muito criticado por impulsionar a alta dos preços dos alimentos.
Para o presidente brasileiro, no entanto, o aumento dos preços dos alimentos se dá pelo fato de "as pessoas pobres estarem começando a comer" em lugares como China, Índia e América Latina.
- A solução é produzir mais, e não me digam que o aumento de preços é por causa dos biocombustíveis.
Lula rejeitou também as críticas de que a produção de etanol substitui plantações de alimentos por colheitas para a produção de matéria-prima energética.
Adaptação
A necessidade de adaptação também foi destacada pelo diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominque Strauss Kahn, que afirmou que a atual crise obrigará o órgão a reestruturar algumas de suas ''ferramentas financeiras'' que não são apropriadas para lidar com crises como a atual.
Stauss-Kahn chegou a ironizar a maneira como o fundo é visto, muitas vezes associado à recomendação de políticas macroeconômicas duras e com um pesado custo social.
- Muitos podem se surpeender ao ver