Um diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta sexta-feira que os benefícios do Mercosul (Mercado Comum do Sul) não compensam os custos do bloco econômico. O chefe do departamento de América Latina, Anoop Singh, disse ainda que as disparidades comerciais na região vão dificultar ainda mais a recuperação de países como Argentina, Uruguai e Brasil. As declarações foram dadas durante uma reunião sobre os prós e contras da globalização, em Washington, segundo a agência de notícias Reuters. "Certamente, hoje existe cada vez mais um consenso de que os custos do Mercosul hoje simplesmente pesam mais que os seus benefícios e que ele provavelmente limitou o ajuste das economias do bloco econômico às crises econômicas", disse Singh. Enfraquecimento Sustentado, principalmente pelo Brasil e pela Argentina, o Mercosul também tem a participação do Uruguai e do Paraguai. Chile e Bolívia são membros associados do bloco. No entanto, a instabilidade política na região e as insistentes crises econômicas na Argentina, no Brasil e no Uruguai enfraqueceram o grupo. Depois de anos de discussões sobre a adoção de uma moeda única e sobre a coordenação de políticas dentro do Mercosul, poucas medidas concretas foram adotadas. Singh afirmou ainda que o comércio na América Latina representa uma proporção menor da atividade econômica do que em outras economias emergentes. A falta de abertura comercial aliada à uma abertura ao fluxo de capitais do mercado internacional teria criado, na opinião de Singh, um desequilíbrio econômico na América Latina. "As implicações para a política econômica desse desequilíbrio são bastante graves", disse Singh. "Certamente, em comparação com a Ásia, é muito mais difícil para a América Latina gerar o tipo de superávit comercial necessário para combater a desvalorização das suas moedas." Há apenas duas semanas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o seu colega argentino, Eduardo Duhalde, prometeram reconstruir o Mercosul e reforçar os laços políticos, sociais e econômicos dos dois países. Ambos pretendem trabalhar pela criação de um Parlamento regional, além de uma moeda única.
FMI diz que benefícios não compensam Mercosul
Sexta, 31 de Janeiro de 2003 às 19:56, por: CdB