Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

FMI diz que benefícios não compensam Mercosul

Sexta, 31 de Janeiro de 2003 às 19:56, por: CdB

Um diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta sexta-feira que os benefícios do Mercosul (Mercado Comum do Sul) não compensam os custos do bloco econômico. O chefe do departamento de América Latina, Anoop Singh, disse ainda que as disparidades comerciais na região vão dificultar ainda mais a recuperação de países como Argentina, Uruguai e Brasil. As declarações foram dadas durante uma reunião sobre os prós e contras da globalização, em Washington, segundo a agência de notícias Reuters. "Certamente, hoje existe cada vez mais um consenso de que os custos do Mercosul hoje simplesmente pesam mais que os seus benefícios e que ele provavelmente limitou o ajuste das economias do bloco econômico às crises econômicas", disse Singh. Enfraquecimento Sustentado, principalmente pelo Brasil e pela Argentina, o Mercosul também tem a participação do Uruguai e do Paraguai. Chile e Bolívia são membros associados do bloco. No entanto, a instabilidade política na região e as insistentes crises econômicas na Argentina, no Brasil e no Uruguai enfraqueceram o grupo. Depois de anos de discussões sobre a adoção de uma moeda única e sobre a coordenação de políticas dentro do Mercosul, poucas medidas concretas foram adotadas. Singh afirmou ainda que o comércio na América Latina representa uma proporção menor da atividade econômica do que em outras economias emergentes. A falta de abertura comercial aliada à uma abertura ao fluxo de capitais do mercado internacional teria criado, na opinião de Singh, um desequilíbrio econômico na América Latina. "As implicações para a política econômica desse desequilíbrio são bastante graves", disse Singh. "Certamente, em comparação com a Ásia, é muito mais difícil para a América Latina gerar o tipo de superávit comercial necessário para combater a desvalorização das suas moedas." Há apenas duas semanas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o seu colega argentino, Eduardo Duhalde, prometeram reconstruir o Mercosul e reforçar os laços políticos, sociais e econômicos dos dois países. Ambos pretendem trabalhar pela criação de um Parlamento regional, além de uma moeda única.

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