O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quarta-feira que a América Latina terá um bom crescimento em 2004, graças à recuperação de todos os países, mas alertou os governos a diminuir o peso das dívidas para evitar problemas futuros.
Em seu relatório semestral ``Panorama Econômico Mundial'', o FMI reconheceu que há ``um aumento nas tensões sociais em vários países'' por conta da desigualdade e do alto desemprego.
``O crescimento econômico da América Latina se recuperou após a profunda recessão de 2001-2002'', disse o organismo, que elevou sua projeção de crescimento para a América Latina e o Caribe para 3,9 por cento em 2004, a mesma taxa registrada em 2000. A previsão anterior apontava para uma expansão de 3,5 por cento.
Em 2003, a região cresceu 1,7 por cento, de acordo com o Fundo. Segundo o FMI, a recuperação da América Latina foi impulsionada pelo aumento das exportações, que subiram com a demanda externa após a desvalorização generalizada das moedas da região. Também houve aumento da demanda interna devido a taxas de juros menores e à retomada progressiva da confiança do consumidor.
O relatório disse que apesar da recuperação na América Latina, ela será a região em desenvolvimento de menor crescimento este ano, superada pela África e pelo Oriente Médio.
Para o Brasil, o Fundo projeta um crescimento de 3,5 por cento em 2004, representando uma recuperação da contração de 0,2 por cento em 2003. Segundo o FMI, o país tem uma ''vulnerabilidade significativa'' por conta de sua enorme dívida pública, particularmente ``no caso de uma deterioração nas condições do mercado financeiro'' ou de uma interrupção da agenda de reformas do governo.
O economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, indicou que o Brasil tomou as medidas necessárias e que está ``no sólido caminho para a recuperação'', mas com vulnerabilidades.
Para a Argentina, o Fundo projetou um crescimento de 5,5 por cento em 2004 e alertou o país para aumentar seu superávit fiscal primário e reestruturar sua dívida em moratória.