Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

FMI deve agir para impedir volatilidade da taxa de câmbio, diz ministra da Economia da França

Segunda, 30 de Maio de 2011 às 13:25, por: CdB

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve agir de forma coordenada para que a taxa de câmbio não se comporte de forma volátil e seja pelo menos previsível, disse hoje (30) a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, e candidata a assumir o comando da instituição internacional. Em entrevista coletiva após se encontrar com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ela disse ser difícil chegar a uma conclusão geral sobre o assunto.

Christine ressaltou que a desvalorização do dólar afeta os países de forma diferente, em alguns casos favorecendo as contas externas e, em outros, prejudicando. “O papel do câmbio depende da situação do país. Se o país for exportador líquido, certamente o câmbio [dólar barato] poderá ser um problema. Se é importador líquido, o câmbio previne o risco de [ser afetado por] desvalorizações da moeda.”

Na avaliação da ministra, o problema se repete com o euro, cujo valor tem subido para compensar a queda do dólar. “Na zona do euro, os países são importadores líquidos de petróleo e a valorização do euro é interessante. Por outro lado, para os países [europeus] exportadores de produtos manufaturados com base de custo na zona do euro, a moeda mais cara é desvantagem.”

Sobre o papel do FMI em relação ao assunto, a candidata disse apenas que o fundo deve agir de forma coordenada para conter a queda do dólar e impedir a volatilidade da taxa de câmbio.

Em relação aos encontros que teve com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, Christine negou que as autoridades brasileiras tenham prometido apoio. “Vim apenas para me apresentar como candidata e deixar claro quais são meus valores.”

Segundo ela, a proposta de Mantega de que o novo diretor-gerente exerça apenas um mandato-tampão até o fim de 2012, quando acabaria o mandato do antecessor, não foi discutida.

De acordo com a ministra, a maior preocupação das autoridades brasileiras foi em relação à continuidade das reformas no fundo. Christine disse ter assegurado que prosseguirá com a ampliação dos direitos de votos dos países emergentes, o aumento das cotas das nações em desenvolvimento e prometeu conceder assentos nas vice-diretorias a economistas desses países. “O fundo não pertence a nenhum grupo de países, mas à integralidade dos seus 187 membros. É necessário continuar o processo de reforma iniciado nos últimos anos.”

A candidata disse ainda que concorda com Mantega quanto à necessidade de a sucessão ser baseada na capacidade técnica, em vez de levar em conta apenas o país de origem dos candidatos. “Compartilhamos uma série de princípios, como o de que o processo de seleção deve ser aberto, transparente e baseado no mérito.”

De Brasília, a ministra francesa segue para a China, Índia e o Oriente Médio na tentativa de conseguir apoio de países emergentes para sua candidatura. Apoiada pelos países europeus, ela concorre ao cargo de diretora-gerente do FMI após a renúncia de Dominique Strauss-Kahn, que deixou o posto para se dedicar à defesa em relação a acusações de abuso sexual nos Estados Unidos.

Edição: João Carlos Rodrigues

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