Escolher o novo - no caso, nova - diretor-geral do FMI pelo critério de região, no caso eleger uma candidata da Europa, além de um retrocesso, uma volta à política de divisão do mundo em blocos sob hegemonia norte-americana, é uma negação de toda a nossa política externa que se faz no apoio à renovação e reforma dos organismos internacionais e de suas políticas e objetivos.
A política externa hegemônica dos Estados Unidos já escolhe tradicionalmente o diretor-geral do Banco Mundial (BIRD). Escolher o novo diretor-geral do Fundo pelo critério de região (as potências econômicas querem que seja da Europa) é negar a renovação dos organismos internacionais.
É uma negação, principalmente, do que preconiza nossa política externa, na direção de um mundo multipolar com forte presença dos chamados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ou emergentes, países que podem, devem, e em certa medida passaram a desempenhar um novo papel no cenário internacional.
Sucessão confirma mesma política para o FMI e para a economia
Daí ser necessário que o Brasil se posicione com relação a candidatura da Ministra da Economia da França, Christine Lagarde, lançada pelo presidente de seu país, Nicolas Sakorzy, que a cada dia alardeia maio número de países em apoio a seu pleito.
Christine Lagarde, cuja força como candidata é interpretada exatamente por ser da Europa (vejam, a prevalência do critério regional!) é da mesma nacionalidade de seu antecessor, Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao posto, responde a processo nos EUA e cumpre prisão domiciliar em Nova York.
Indicar seu sucessor - sucessora - pelo critério de região só reforça a política de condomínios exclusivos. Fazê-lo é querer confirmar a partir de sua visão (dos EUA e potências econômicas aliadas), e sem quaisquer reformas, a manutenção da política vigente para o Fundo e para a economia mundial.
FMI: critério regional na sucessão é retrocesso
Sexta, 27 de Maio de 2011 às 05:05, por: CdB