O declínio no crescimento econômico global é refletido na queda dos preços dos ativos, na turbulência dos mercados financeiros e nos maiores custos de energia e alimentos, disse o primeiro vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, nesta quinta-feira.
- Os efeitos da desaceleração estão sendo sentidos sobretudo nos Estados Unidos, mas o crescimento em todas as regiões do mundo está desacelerando. De acordo com o último relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do FMI, o crescimento da produção global irá desacelerar 1 ponto percentual em 2008, para cerca de 3,75%, e se manterá nesse ritmo em 2009 - disse Lipsky em discurso proferido no Conselho de Relações Exteriores da Organização das Nações Unidas (ONU).
Ainda segundo o executivo do FMI, embora o crescimento mundial seja menor, a inflação é um fator que "deve ser levado a sério", afirmou.
Risco europeu
Em Atenas, o presidente do Banco Centrau Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet seguiu na mesma linha de raciocínio do colega norte-americano. Segundo afirmou, os riscos para a inflação da zona do euro continuam inalterados e a região deverá apresentar um crescimento econômico apenas moderado no primeiro semestre deste ano. Paira no ar, no entanto, um alto nível de incertezas sobre as atividades bancárias, devido à turbulência dos mercados financeiros.
- No geral, a economia da zona do euro tem fundamentos sólidos. Os últimos dados e informações sobre a atividade econômica confirmam nossas expectativas de um crescimento moderado mas contínuo no primeiro semestre de 2008. Acreditamos que nossa atual postura de política monetária contribuirá para atingirmos nosso objetivo, mas vamos monitorar bem de perto todos os desenvolvimentos nas próximas semanas - afirmou ele em entrevista coletiva, quando anunciou a decisão de manter a taxa básica de juros na região do euro em 4%.