Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

FMI apoia controle de capitais pelo Brasil mas vê risco de 'contorno'

Quinta, 04 de Agosto de 2011 às 11:03, por: CdB

FMI apoia controle de capitais pelo Brasil mas vê risco de 'contorno'Em relatório sobre economia brasileira, Fundo Monetário Internacional (FMI) manifesta apoio às medidas de controle de capitais adotadas pelo governo, mas diz que elas podem ser 'contornadas'. Presidente do Banco Central nega que governo esteja sendo driblado. Opção da equipe econômica até agora tem sido controlar entrada de dólares, mas economistas sem ligação com 'mercado' defendem controlar saída.

André Barrocal

BRASÍLIA – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quarta-feira (03/08) um relatório sobre o Brasil no qual manifesta apoio às medidas que o governo vem adotando contra a enxurrada de dólares em direção ao mercado financeiro do país. O documento diz, no entanto, que alguns diretores do FMI consideram que estas medidas podem ser “contornadas”, desconfiança que o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, rebateu nesta quinta-feira (04/08).

O relatório afirma que a diretoria do Fundo reconhece o “uso pragmático”, pelo Brasil, de medidas que produzem algum controle de capitais. E que a maioria considera “apropriado” que elas sejam empregadas. “As diversas medidas implementadas pelas autoridades para administrar o fluxo de capitais têm pouco a pouco surtido algum efeito em moderar o estímulo à entrada de recursos”, diz o texto.

A principal ação do governo até agora foi aumentar a cobrança de imposto na entrada de dólares no país. Economistas sem ligação com o “mercado” acham que esse mecanismo é tímido para conter a invasão de capitais, já que o ganho deles com juros no sistema financeiro é grande. O ideal seria dificultar a saída dos dólares.

No documento, que afirma que o Brasil pratica “elevadas taxas de juros”, o fundo diz que alguns de seus diretores “advertem” que as medidas adotadas pelo governo podem ser “contornadas”.

O texto não diz como o drible poderia ocorrer, mas uma hipótese que costuma ser levantada em debates sobre o tema seria uma espécie de camuflagem do dólar. O dinheiro viria ao Brasil na forma de investimento direto (na economia real), em vez de declarar que vem ao mercado financeiro.

A suspeita tem amparo em dados oficiais. No primeiro semestre, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 32 bilhões, duas vezes e meia o valor registrado no mesmo período de 2010.

Quando se observa apenas o movimento de dinheiro entre filial e matriz das multinacionais, em operações chamadas de “empréstimos intercompanhias”, a evolução é maior. De janeiro a junho de 2010, esse movimento tinha sido negativo em US$ 160 milhões. Agora, está positivo em mais de US$ 6 bilhões.

Em entrevista nesta quinta-feira (04/08) a um programa de rádio organizado pela Secretaria de Imprensa da Presidência que toda semana ouve uma autoridade do governo, o presidente do Banco Central negou que possa estar havendo tal tipo de “contorno”. Segundo Alexandre Tombini, o BC não está vendo “nada de extraordinário” na evolução dos investimentos estrangeiros diretos.

Para o BC, o ingresso de dólares têm sido alimentado pelo crescimento da economia brasileira, que atrai empresas que não encontram as mesmas oportunidades de lucros nos países ricos.

No documento, o FMI diz que “o Brasil continua a ser um dos destinos prediletos dos investidores internacionais”, por causa de “perspectivas econômicas favoráveis e rendimentos elevados”.


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