O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu nesta terça-feira, 19, que a crise de dívida soberana da zona do euro ameaça não só a Europa, mas a recuperação global, e pediu esforços mais "sistemáticos" para restaurar a confiança nos mercados."O contágio pode ser amplo se as tensões nos países da zona do euro em crise se transferirem a outros membros", afirmou o organismo, que insistiu que "os atrasos na resolução das crises poderiam ser caras para a zona do euro e a economia global".
Luc Everaert, responsável do FMI pelas políticas para a zona do euro, explicou nesta terça-feira em entrevista coletiva telefônica que a prioridade da região deve ser enfrentar a crise para evitar contágios. "O que é bom para a eurozona também é bom e essencial para o resto do mundo", declarou.Será?
Filosofia do arrocho
Raciocinando dentro da filosofia do FMI, que serve aos interesses do sistema financeiro, Everaert considerou que para conter a crise nos países periféricos e evitar que os problemas se estendam a outras grandes economias, como Itália e Espanha, é necessária uma "rotunda implementação" dos programas de reforma na Grécia, Irlanda e Portugal.
Todavia, não é este o sentimento da classe trabalhadora e dos partidos e organizações progressistas na região. A aplicação dos pacotes impostos pelo FMI significa um profundo retrocesso social, com supressão de direitos e cortes de salários. Por isto, despertou a revolta popular na Grécia, Espanha, Portugal e outros países. Ademais, o arrocho fiscal agravou o quadro recessivo, ampliando o desemprego e a crise da economia real.
Dinheiro para salvar banqueiros
O representante europeu insistiu na necessidade de aumentar os recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) para auxiliar países com problemas de financiamento e torná-lo mais flexível. Os críticos dizem que todo o dinheiro deste fundo tem sido carreado para o bolso de banqueiros, principalmente alemães e franceses, em pagamento dos juros da dívida pública.
Everaert destacou que é preciso "esclarecer" o mais rápido possível a participação do setor privado na solução da crise e ressaltou que serão necessários passos adicionais para reforçar a disciplina fiscal. Além disso, a zona do euro deve melhorar sua governabilidade e atuar de forma mais coordenada, em terrenos como o da supervisão.
Já os 24 integrantes do Conselho Executivo do FMI, que analisaram na segunda-feira o relatório anual sobre a economia europeia, indicaram em comunicado que é necessário manter o "apoio monetário não convencional" pelo tempo que for necessário e também aumentar os níveis de capital dos bancos além dos requisitos do Acordo da Basileia.
Com informações da EFE
FMI alerta para contágio global da crise na zona do euro
Terça, 19 de Julho de 2011 às 13:42, por: CdB